Nas últimas semanas têm surgido algumas situações no Alentejo Central em que é detetada a presença da bactéria Legionella em análises de rotina realizadas em diferentes equipamentos.

Para perceber as implicações que esses resultados têm a nível da comunidade, o Diário do Sul conversou com Vera Leal Pessoa, autoridade de saúde coordenadora do Alentejo Central.

Segundo a médica especialista em Saúde Pública, “a nível do Alentejo Central, tem sido detetada a presença de Legionella, no âmbito da colheita de amostras que é feita periodicamente pelas entidades responsáveis pelos equipamentos”.

Explicou que, “no âmbito dos planos de prevenção e controlo de Legionella, que é uma obrigatoriedade legal, essas entidades têm de colher periodicamente amostras”, acrescentando que “tem sido nesse âmbito que tem sido identificada a presença de Legionella em alguns estabelecimentos de educação e ensino, em pavilhões e em piscinas”.

Segundo Vera Leal Pessoa, “nesse mesmo âmbito, após a deteção da bactéria Legionella têm sido implementadas medidas adequadas, de acordo com a avaliação do risco ambiental que tem sido feita”.

Especificou que “essas medidas incluem a interdição da utilização da água quente sanitária (como chuveiros e torneiras) e implementação de medidas corretivas, que podem ser através de choque químico e/ou térmico, dependendo daquilo que é adequado”.

A mesma médica referiu também que “depois são recolhidas novas amostras e é por isso que às vezes as situações parecem levar algum tempo a resolver”, realçando que “tem a ver com os timings que estão previstos no enquadramento legal de acordo com a avaliação de risco (baixo, moderado ou elevado)”.

Reforçou que “precisamos destas novas amostras para perceber se as medidas corretivas que implementámos foram eficazes ou não”.

A autoridade de saúde coordenadora do Alentejo Central garantiu que “na sequência das situações ambientais que descrevi não foram identificados casos de doença dos legionários com ‘link epidemiológico’”.

No entanto, adiantou que “foram identificados casos de doença dos legionários noutros contextos em alguns concelhos e freguesias do Alentejo Central, desde meados de março deste ano, nomeadamente em estruturas residenciais para pessoas idosas e centros de dia, mas também já foram identificadas situações em contexto domiciliário”.

A mesma responsável afiançou que “também nessas situações se procedeu à respetiva investigação epidemiológica e ambiental, com a avaliação do risco e foram implementadas as medidas de saúde pública adequadas”.

Ainda a respeito de ser identificada a bactéria Legionella em determinados locais, Vera Leal Pessoa destacou que “para minimizar e eliminar o risco que pode surgir nesses equipamentos têm de ser tomadas de imediato as medidas adequadas”, assegurando que “em todas as situações identificadas no Alentejo Central essas medidas foram implementadas atempadamente e de forma efetiva”.

Quanto à caracterização da Legionella, disse que “é uma bactéria que existe no meio ambiente e que prolifera na presença de determinadas condições, nomeadamente na presença de água quente entre os 20 e os 45 graus, mas também prolifera em águas estagnadas da rede predial, canalizações degradadas, entre outras situações, existindo também em reservatórios de água artificiais”.

A médica especialista em Saúde Pública evidenciou também que “a bactéria Legionella pneumophila é a responsável pela maioria das infeções em humanos”, alertando que “é uma bactéria que não se transmite de pessoa para pessoa, nem através da ingestão da água contaminada, transmite-se sim por via aérea, através da inalação de aerossóis contaminados pela bactéria”.

Sublinhou também que “quem corre maior risco de desenvolvimento da doença dos legionários são os homens com idade superior a 50 anos, fumadores, com doenças respiratórias de base e/ou com o sistema imunitário deprimido por alguma patologia crónica”, constatando que “em pessoas saudáveis e jovens não é expectável que a doença dos legionários se desenvolva”.

De acordo com Vera Leal Pessoa, “é uma infeção pulmonar que se caracteriza por uma pneumonia com febre alta”, exemplificando que “tem sinais e sintomas de uma gripe, como dores musculares e de cabeça, febre ou tosse, e é tratável com antibióticos”.

No que diz respeito a algumas recomendações, indicou a importância das “entidades responsáveis pelos equipamentos manterem atualizados os planos relativamente à prevenção da Legionella, manter os equipamentos a temperaturas adequadas ou inspecionar os equipamentos e cumprir os planos de manutenção”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal

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