Em pleno centro histórico de Évora, a Adega Cartuxa, que é propriedade da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), apostou num novo espaço de enoturismo. Está situado no Páteo de São Miguel e pretende complementar o enoturismo já existente na Quinta do Valbom.

Designado por Páteo Cartuxa, o novo espaço abriu recentemente e dispõe de três opções de experiência, havendo uma parte cultural bastante relevante na oferta que agora é disponibilizada.

Em declarações aos jornalistas, João Teixeira, diretor da Adega Cartuxa, adiantou alguns pormenores sobre esta nova unidade.

“Este espaço foi reaproveitado para a Adega Cartuxa ter uma extensão do seu enoturismo”, começou por referir, recordando que, “em 2023, batemos os recordes de visitas no enoturismo da Quinta do Valbom, o nosso mais antigo e tradicional enoturismo da Adega Cartuxa”.

Assumiu que “com este novo espaço temos dois grandes objetivos”, especificando que passam por “crescer organicamente porque assim temos capacidade para receber mais pessoas, mas acima de tudo por apresentar uma proposta complementar ao espaço que nós temos na Adega Cartuxa”.

Segundo João Teixeira, “na Quinta do Valbom o foco é muito na história da vinha, da adega, do edifício do século XVI lá existente e do Mosteiro da Cartuxa; aqui no Páteo Cartuxa a ideia é focar um pouco mais o que é a parte cultural da FEA e toda a história que a envolve, bem como a família Eugénio de Almeida antes da criação da Fundação”.

Acrescentou que, “para quem nos visita no Páteo, a prova também tem, naturalmente, como base os vinhos de grande qualidade da Adega Cartuxa, mas com uma vertente mais cultural e com a vantagem de estarmos aqui no centro da cidade de Évora”.

O mesmo responsável explicou que “temos três programas disponíveis, podendo o visitante fazer apenas a prova de vinhos aqui neste espaço; pode optar pela prova de vinhos com a visita ao Páteo de São Miguel, onde se encontra o Palácio dos Condes de Basto; ou escolher uma terceira opção, que inclui a prova, a visita e uma refeição na Enoteca Cartuxa, que está a dois minutos de distância”.

Realçou que “os horários de visita são às 11 ou às 16 horas, precisamente para quem optar pela Enoteca estar já próximo da hora de almoço ou do jantar”.

Quanto a números referentes ao enoturismo, João Teixeira revelou que, “em 2023, crescemos 40 por cento no número de visitantes, o que também foi um dos motivos que nos ‘obrigou’ a olhar para este espaço para conseguirmos crescer, não só no tipo de oferta, como no número de visitantes”.

Em relação às expectativas para este novo espaço, sublinhou que “não esperamos ter a procura que temos na Quinta do Valbom, pois nem temos essa capacidade de resposta, mas se pensarmos que é uma sala extra com capacidade para seis a oito pessoas em dois horários, se os preenchermos todos os dias já vamos ter um crescimento muito significativo no que é o enoturismo na Adega Cartuxa”.

O diretor frisou ainda que, “no fecho de 2023, tivemos no enoturismo da Adega Cartuxa cerca de 30 400 visitantes e para este ano esperamos ficar perto dos 33 ou 34 mil visitantes.

No que diz respeito às nacionalidades desses turistas, salientou que “continua a haver uma predominância dos brasileiros, cerca de 57 por cento, embora este mercado tenha diminuído o pouco em relação a outros anos”.

De acordo com o João Teixeira, “seguem-se os turistas nacionais, depois uma mistura de Reino Unido e Estados Unidos da América e logo a seguir o mercado comunitário, sobretudo espanhóis e franceses”.

Confirmou também que “há uma ligação entre o facto de quem nos visita ser do mercado brasileiro e o peso das vendas nesse mesmo mercado”, reiterando que, “em 2022, fomos o exportador número um de vinhos europeus em valor para o Brasil e, em 2023, tivemos uma posição de segundo lugar”.

A esse respeito, o mesmo responsável disse ainda que “o Brasil representa 20 por cento do total da faturação da Adega Cartuxa”.

Casal de turistas brasileiros satisfeito com enoturismo no Páteo Cartuxa

Paula Valéria e Hélcio Erasmi vieram do Brasil, mais concretamente do Rio de Janeiro, e foram dos primeiros turistas a experimentar as ofertas do Páteo Cartuxa.

“Para nós, foi uma grande surpresa, conhecemos várias vinícolas na América do Sul e na Europa e nunca teve esta parte de história”, confessou Paula Valério, comentando que “eu até estava bastante apreensiva com a visita, a pensar que ia ver de novo barricas e como se faz o vinho, mas ao chegarmos aqui descobrimos que tinha a parte da história da FEA e da Adega Cartuxa”.

Hélcio Erasmi assumiu que “já conhecíamos alguns vinhos da Cartuxa lá no Brasil, mas outros experimentámos pela primeira vez, além de ficarmos a conhecê-los com uma maior explicação”, comentando que “estes vinhos são excelentes”.

Em jeito de conclusão, Paula Valéria garantiu ainda que, “em termos de visitas, foi uma das melhores que fiz no mundo”, afiançando que “foi completamente diferente e recomendo a todas as pessoas”.

Pode ver a reportagem vídeo no seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=QKmYtC5Ergk&t=5s

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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