A região do Alentejo, com uma forte atividade agropecuária, encontra-se numa posição privilegiada para liderar a transição energética e contribuir significativamente para a descarbonização da economia local através do desenvolvimento e utilização de gases renováveis, especialmente o biometano e o hidrogénio verde. Esses vetores energéticos apresentam uma oportunidade única para impulsionar o desenvolvimento socioeconómico regional do Alentejo.

O biometano é produzido a partir da valorização de resíduos agrícolas, resíduos sólidos urbanos, lamas de estações de tratamento de águas residuais, efluentes pecuários e resíduos agroindústrias. Assim, oferece à comunidade agropecuária e vitivinícola a oportunidade de valorizar os seus resíduos, passando a representar uma fonte de receita adicional, enquanto alavanca a economia circular.

Ao ser produzido localmente, o biometano reduz a dependência de fontes de energia importadas, aumentando a segurança energética tanto para países como para regiões específicas.

Gabriel Sousa, CEO da Floene no 3º evento Comunidades de Futuro, em Viseu, dia 22 de novembro

Uma das maiores vantagens do biometano é a sua capacidade de substituir o gás natural nas redes de gás, sem que famílias ou empresas tenham de alterar seus hábitos de consumo ou trocar os seus equipamentos a gás. Isto significa que podemos continuar a utilizar os nossos fogões, aquecedores, e outros dispositivos a gás, como sempre fizemos, mas de uma forma muito mais sustentável.

Outro dos gases renováveis em franco desenvolvimento é o hidrogénio verde, estando já em produção no Alentejo. Produzido através da eletrólise da água, utiliza eletricidade proveniente de fontes renováveis.

No Alentejo, tendo um grande potencial solar, o hidrogénio verde não só poderia atender à procura local por uma energia limpa, mas também posicionar a região como um fornecedor chave de hidrogénio renovável para outras partes de Portugal e até da Europa. Esta dinâmica poderia atrair investimentos significativos em tecnologia e infraestrutura, criando empregos e fomentando a inovação local.

Os benefícios socioeconómicos da adoção destes gases renováveis no Alentejo são vastos. Além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade do ar, a transição energética pode revitalizar a economia rural, criando empregos e promovendo o desenvolvimento de competências locais em tecnologias limpas.

Ao aproveitar seu potencial agrícola e solar, a região pode não só alcançar a autossuficiência energética como também contribuir significativamente para a descarbonização da economia portuguesa.

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