Até 6 de outubro, o Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), em Évora, mostra a exposição “No tempo de todas as perguntas”, da autoria de Alfredo Cunha e com curadoria de Patrícia Reis.

No total, são 36 fotografias, que, segundo a FEA, contam “uma história da década de 1970, tendo como denominador comum o olhar de quem era criança a 25 de Abril de 1974”.

A inauguração aconteceu no dia 16 deste mês, contando com a presença do autor, o fotojornalista Alfredo Cunha.

Dias antes, a curadora contou aos jornalistas que “nesta exposição de fotografias de Alfredo Cunha temos um retrato cultural, social, económico e político da década de 1970”, sublinhando que “é uma forma de lembrarmos e comemorarmos os 50 anos do 25 de Abril, mas é também uma forma de pensarmos o que era e como era este país há 50 anos”.

Patrícia Reis explicou que “optámos por fazê-lo com fotografias de crianças e, pese algum cenário poder parecer, efetivamente, muito miserável, são crianças que têm o futuro nas mãos e a pureza de poder fazer todas as perguntas”, constatando que “é uma exposição sobre a liberdade do que vem a seguir, mas é também uma exposição com esperança”.

Adiantou ainda que “o autor enviou-me centenas de fotografias e foram as crianças que de alguma forma sobressaíram para mim, pois estes são os herdeiros da democracia e da liberdade”, realçando que “foram escolhidas 36 fotografias”.

A curadora admitiu que “foi uma escolha difícil”, comentando que “temos imagens de vários pontos do país, quer de campo, quer de cidade, muitas delas da Amadora, onde o autor morava na altura”, reiterando que “estas fotografias foram tiradas, sobretudo, entre 1969 e 1976”.

No dia da inauguração, também em declarações aos jornalistas, Alfredo Cunha destacou que “as fotografias patentes na exposição foram feitas quando eu tinha entre 15 e 20 anos”, confessando que “foram relativamente fáceis de fazer porque eu vivia na Amadora e passava por estas crianças todos os dias, algumas já as conhecia e fotografava-as”.

Acrescentou que “estas crianças eram pobres, mas não tinham consciência de que eram pobres, então brincavam como podiam e como sabiam”, frisando que “as crianças transmitem-nos sempre esperança, já estive em várias guerras e em situações bastante complicadas e as crianças brincam sempre”.

Quanto ao que quer transmitir ao público com esta exposição, o autor confidenciou que pretende “evitar uma coisa que está a acontecer um pouco atualmente, que é o revisionismo da história”, referindo que “tenta-se dizer que o nosso país era muito bom e que éramos todos muito felizes nessa época, mas não, o nosso país era paupérrimo e vivíamos numa situação de pobreza muito grande, mesmo aqueles que tinham algum dinheiro tinham pouco, o nivelamento fazia-se por baixo e a prova é a situação social em que as crianças, e as suas famílias, viviam”.

Por sua vez, Maria do Céu Ramos, secretária-geral da FEA, salientou que “esta é uma exposição que retrata Portugal da década de 1970, quando aconteceu o 25 de Abril, e que retrata crianças em situações quotidianas”, relatando que “vimos crianças na pobreza, mas com alegria no olhar porque têm esperança e porque têm liberdade e a infância é o tempo da liberdade”.

Recordou também que “a programação do Centro de Arte e Cultura da FEA em 2024 é criada sob o signo da liberdade e da esperança, sendo uma forma de homenagear o 25 de Abril e as transformações que se alcançaram nestes 50 anos”.

Segundo Maria do Céu Ramos, “é uma alegria para a FEA apresentar as fotografias de Alfredo Cunha, o grande fotojornalista que documentou o 25 de Abril, mostrando estas imagens, algumas delas inéditas, sobre um tempo que gerou o 25 de Abril e que nos conduziu até ao presente”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS / FEA

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