As grandes empresas são aquelas onde há menor percentagem de mulheres quer em cargos de gestão, quer de liderança, e onde a disparidade de género é mais acentuada com e evolução na hierarquia.

Nestas empresas, que são responsáveis por quase 40% do emprego total das empresas, o desequilíbrio de género na gestão é ainda mais significativo pois são elas que têm maior percentagem de trabalhadores femininos.

Um elevado número de grandes empresas pertence a setores com gestão predominantemente masculina, como as Indústrias. Pelo contrário, existe uma maior percentagem de microempresas em setores com maior presença feminina, como o dos Serviços gerais.

Outros setores com maior presença feminina, como o Alojamento e restauração ou o Retalho, têm também as maiores percentagens de mulheres no exercício de cargos de gestão, mas mesmo assim não atingem um terço.

Este foi um dos factos assinalados por Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B, na 11ª Grande Conferência da Liderança Feminina, organizada pela Executiva e que se realiza hoje no Porto, onde apresentou as principais conclusões da 14ª edição do estudo da Informa D&B ‘Presença Feminina nas Empresas em Portugal’.

Deste estudo fica claro que há ainda um grande caminho a percorrer em direção à paridade de género na gestão das empresas, já que a evolução é praticamente nula desde 2017.

Face à necessidade dessa evolução, o estudo destaca que a instauração de quotas relativas ao género é um acelerador da participação feminina na gestão, como foi o caso das empresas cotadas e do setor empresarial público, onde a presença feminina em cargos de decisão é superior ao restante tecido empresarial.

Maior preparação académica das mulheres não corresponde aos cargos de gestão que desempenham nas empresas

As mulheres representam metade da população ativa em Portugal e registam um nível de escolaridade superior ao dos homens – entre a população ativa com ensino superior, 59% são mulheres e entre a população ativa sem escolaridade apenas 38% são mulheres. Em profissões como médicos (57%), magistrados (64%) ou advogados (56%), a percentagem de mulheres é superior à dos homens.

Mas nas empresas existe grande disparidade entre a preparação académica das mulheres e a sua representatividade em órgãos de gestão e liderança.

Apenas 30% dos cargos de gestão e 27% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres

42% dos empregados das empresas são do género feminino. Mas apenas 30% dos cargos de gestão e 27% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Além disso, apenas 17% das funções de direção geral são exercidas por mulheres e 16% de mulheres presidem nos conselhos de administração.

Existem, no entanto, cargos maioritariamente ocupados por mulheres. Em funções de direção executiva, as direções de qualidade/técnica e de recursos humanos são ocupadas em mais de metade dos casos por mulheres (59% em ambas os casos). Embora ainda sem representatividade no total dos cargos, a direção de sustentabilidade, uma das mais recentes a ser criada, tem uma elevada presença feminina.

Empresas lideradas por mulheres são mais inclusivas

Não existem diferenças significativas no que respeita à solidez financeira e classificação ESG entre as empresas lideradas por mulheres ou por homens. Mas as empresas lideradas por mulheres mostram-se mais inclusivas, dado que 78% das equipas de gestão são mistas, sendo apenas 22% exclusivamente femininas. Nas empresas lideradas por homens, apenas 48% das equipas de gestão são mistas e 52% são constituídas exclusivamente por homens.

Fonte: Nota de Imprensa / Informa D&B

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