“Visões raras de futuro”. É isso que nos propõe Ângela Rocha com as instalações artísticas que apresenta no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), em Évora, até 7 de abril.

A exposição é composta por uma instalação artística imersiva (“Metade dos Minutos”) e por uma instalação artística interativa (“Mirabolante”). Ambas estiveram patentes o ano passado na 15.ª Quadrienal de Praga (PQ23), “uma das mais importantes mostras internacionais nas áreas do design de cena, cenografia e arquitetura teatral”, segundo a FEA.

A mesma fonte adiantou que “Ângela Rocha foi a artista responsável pela Representação Oficial Portuguesa, comissariada pela Direção-Geral das Artes, na 15.ª Quadrienal de Praga PQ23”, destacando que “Metade dos Minutos” foi “experienciada por mais de cinco mil visitantes e galardoada com o PQ Kids Award”.

Numa visita guiada pela artista, fomos conhecer os trabalhos que estão patentes na FEA.

Ângela Rocha nasceu em Erada, no concelho da Covilhã, tendo estudado na Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa, onde tirou o curso de Design de Cena.

A cenógrafa e figurinista contou-nos que “trabalho normalmente em teatro e este foi o primeiro desafio em que criei um espaço não para os atores viverem, mas para os visitantes viverem”, confidenciando que “foi um desafio muito interessante estar mais próxima do espetador”.

Nesta “viagem” pela exposição, a artista começou por explicar que “a Quadrienal de Praga tinha como tema ‘Visões raras de futuro’ e eu além da instalação que fiz, da minha proposta de visão rara de futuro, achei que seria importante aprofundar o lado da representatividade do país, tentando abrir esta ideia de visões raras de futuro, dando voz às pessoas de Portugal e levando essa voz até Praga”.

Acrescentou que “essa componente materializou-se no ‘Mirabolante’, que foi um projeto que aconteceu em todo o país, no início do ano passado, em que houve uma recolha dessas visões”, afirmando que “houve uma adesão muito grande e conseguimos que todas as bibliotecas de capitais de distrito de norte a sul e dos arquipélagos, assim como a Biblioteca Nacional de Portugal, aderissem ao projeto”.

De acordo com Ângela Rocha, “nesses locais havia um ponto de recolha em forma de bola de cristal, onde as pessoas deixavam as suas visões, em forma de texto, imagem ou pequenos objetos”.

Esclareceu que “as mensagens ficaram depois incorporadas nessa bola de cristal, que não passa de uma máquina de brindes cenografada, ou seja, aquelas máquinas em que pomos uma moeda e sai uma bolinha”, revelando que “aqui na FEA também podemos tirar uma dessas bolinhas com mensagens originais”.

Depois passamos para a instalação artística imersiva, a “Metade dos Minutos”, que é o conceito de visão rara de futuro de Ângela Rocha.

“Quis sobretudo fazer uma espécie de uma ode ao tato, para nos dar uma consciência maior do corpo no espaço, pois estamos a ficar cada vez mais desligados do nosso corpo porque existe o espaço virtual e muitas vezes já não precisamos de estar fisicamente”, referiu.

A artista sublinhou que “com a Covid também se colocou a ideia de toque como sendo de perigo, o que também nos distanciou bastante”, constatando que “estamos a perder vocabulário do nosso corpo porque já não somos nós a fazer, só acionamos e desacionamos as máquinas”.

Nesta instalação imersiva, as pessoas podem tocar e experienciar diferentes texturas e sons, aferindo inclusive que a visão, por vezes, é enganadora. Exemplo disso é uma mesa e cadeira que nos parecem feitas de algo fofo e afinal são compostas por “alfinetes de costura, mais de meio milhão, que foram colocados manualmente”, revelou Ângela Rocha.

“Achámos que este primeiro momento de ativação do tato era importante ser um pouco mais agressivo, uma espécie de despertar, não confies na tua vista”, frisou.

Logo de seguida, deparamo-nos com “uma instalação-labirinto, onde as texturas reagem ao movimento do visitante, permitindo uma experiência tátil”, descreve a FEA.

A artista realçou que, “mais do que dar uma solução ao visitante, a ideia era pô-lo em movimento, a pessoa é que escolhe o caminho, tu é que tomas as tuas decisões”, focando que “achei que a melhor forma de criar uma textura que nos pudesse conduzir de uma forma inspiradora para o futuro era através da luz, pelo que surgiu a ideia da fibra ótica”.

Na sua perspetiva, “é muito importante num labirinto, tal como na vida, haver um beco sem saída para se encontrar novas soluções”. Não obstante, “há também duas possibilidades de saída deste labirinto”, evidenciou, apontando que “convidei dois artistas plásticos (Diogo Costa e Telma Pais de Faria) para cada um fazer uma porta para essas saídas”.

Esta exposição, com entrada livre, pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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