Piano Para Piano é o novo álbum de Rodrigo Leão. Um trabalho que assinala um feliz encontro do compositor com a sua filha Rosa e no qual em cada faixa há gente dentro e histórias, amizades de décadas e outras mais próximas. A apresentação será esta sexta-feira, dia 23 fevereiro, em Beja, no Teatro Municipal Pax Júlia.

Que mais se pode meter dentro da música além da vida? Vida que se faz de amor de diferentes formas e feitios, de família e amigos, de experiências de viagens, de memórias, de arte e poesia. Chega e sobra, certamente. Quem procure – e não que seja necessário – explicar o continuado sucesso da música de Rodrigo Leão poderá, precisamente, começar por aí: as pessoas escutam os seus discos, aplaudem os seus concertos e constroem relações duradouras com as suas composições porque nelas encontram tudo isso – ecos de uma vida cheia e plena que encanta e agarra quem os escuta com atenção.

Piano Para Piano, o novo álbum de Rodrigo Leão, será porventura o que mais vida tem dentro. Desde logo porque assinala um feliz encontro do renomado compositor com a sua filha Rosa. É o próprio Rodrigo que, de forma simples e transparente, explica como este álbum nasceu. “A Rosa não teve coragem para recusar o meu pedido porque é a pessoa mais diplomática que eu conheço. E tive sorte porque é muito paciente comigo, tem uma sensibilidade extraordinária e isso transparece na forma como toca. Tem sido uma experiência nova e maravilhosa, conhecê-la neste contexto, a trabalharmos juntos”, explica-nos o compositor.

Sempre agudamente consciente das suas capacidades, Rodrigo faz permanentemente questão de frisar que não é pianista no sentido clássico do termo, mas neste disco escreveu melodias que poderiam ser enaltecidas por alguém dotado de um pianismo mais sólido. Tentou em primeiro lugar desafiar o seu filho mais velho, António, que se viu impedido de participar no projeto devido a prementes solicitações académicas. Mas Rosa, a filha do meio, correspondeu à ideia de participar num disco que propunha diálogos a partir de dois pianos. Diálogos que foram depois adornados com arranjos, num dos casos até de um trio de cordas, missão que ficou a cargo da sua entusiasta filha mais nova, Sofia. Como se percebe, os filhos de Rodrigo estão todos embrenhados em avançados estudos musicais.

“Comecei por fazer umas bases simples para ser eu a tocar e sobre as mesmas fui compondo melodias um pouco mais difíceis para eles irem tocando comigo; no início parecia-me estranho, mas depois as peças começaram a juntar-se e tudo passou a fazer sentido e a fluir naturalmente”, explica-nos o compositor. “Nasceram assim os primeiros temas de Piano Para PianoDesde outubro de 2022 que comecei a trabalhar nestes novos temas e apesar de quase todos terem sido pensados para dois pianos, acabei mais tarde por incluir nalguns, sons de cordas, loops, e noutros uma vertente mais eletrónica. Acabou por ser um disco onde encontrei novas inspirações e influências graças ao convívio permanente com esta nova geração maravilhosa que é a dos meus filhos”. Um disco cheio de vida, de facto.

Rodrigo Leão também nos revela a matéria de que se fazem as suas composições: há em Piano Para Piano peças que são dedicadas a pessoas concretas e reais – como Rodant, vénia de pai Rodrigo para filho António; Neo, que refere a carinhosa alcunha porque é tratado o seu sogro; Gabi, para a sua cunhada Gabriela e pra um seu companheiro de venturas musicais de longa data, Gabriel Gomes; Marzar, homenagem a família de Goa; ou, por exemplo, Pandu, nome de um motorista de taxi e amigo que também conheceu em Goa, terra da sua mulher e mãe dos seus filhos. E há outros lugares que inspiram composições, como a sua amada Ericeira que se descobre em Jagoz.

Na verdade, em cada um dos temas há gente dentro e histórias, amizades de décadas e outras mais próximas – todas essas linhas se cruzam num disco em que Rodrigo e Rosa Leão dialogam de forma terna, num registo intimista que traduz a proximidade e cumplicidade que só um pai e uma filha podem partilhar. A vida de Rodrigo Leão poderia dar um filme, como tantas outras, mas felizmente tem servido para inspirar muitos discos. E talvez nenhum outro tanto quanto este. Piano para Piano é história de pai contada a uma filha sem que seja preciso dizer uma única palavra. Porque os pianos entendem-se bem. É assim a vida.

Fonte: Nota de Imprensa

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