No ano em que se celebram 50 anos sobre o 25 de abril de 1974, o Cendrev encontra-se a iniciar o seu 49º ano de serviço público através da cultura, tendo nascido no terreno fértil deixado pela Revolução dos Cravos.

O compromisso para com a cidade de Évora tem sido, desde o início, trazer ao palco do Teatro Garcia de Resende criações artísticas que levem ao desenvolvimento do pensamento e da sociedade, e que continuem a trilhar o caminho da liberdade. Tal como Mário Barradas, o fundador da estrutura, continuamos a sentir que “a ideia de que o desenvolvimento cultural do povo português” é “o mais revolucionário dos caminhos a desbravar”.  

No cumprimento das suas funções como estrutura de criação e programação, a companhia tem o dever de dar conhecimento dos números relativos às atividades que empreendeu no último ano, a saber: 

Realizaram-se 75 sessões que abrangeram 5385 espectadores36 foram realizadas em Évora e 39 em digressão, levando o Cendrev a Reguengos de Monsaraz, Castro Daire, Lisboa, Coimbra, Covilhã, Arraiolos, Porto e Maia. Estas compreendem duas novas criações: “Magnético”, de Abel Neves, e “Pó e Batom”,de Esther F. Carrodeguas, bem como a reposição de “Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu Jardim” de Federico García Lorca, principalmente pelas freguesias do concelho de Évora (Nossa Senhora de Machede, Guadalupe, Azaruja, Torre de Coelheiros, S. Sebastião da Giesteira, Graça do Divor, Canaviais e S. Miguel de Machede). Repuseram-se igualmente os espetáculos “Jeremias Peixinho”, de Mohamed Rouabhi e “Embarcação do Inferno”, de Gil Vicente, mantendo-se desta forma a relação da companhia com os públicos escolares. 

Com o objetivo de preservar a identidade cultural alentejana no âmbito do teatro de marionetas através dos Bonecos de Santo Aleixo, a estrutura levou a cabo uma oficina em Sintra e uma masterclass na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, no Porto, bem como 9 sessões da Oficina “Baile dos Anjinhos” – Os Bastidores dos Bonecos de Santo Aleixo, por Beniko Tanaka, em escolas do concelho e no Teatro Garcia de Resende. Dá-se nota também da conclusão do projeto Reativar Memórias dos Bonecos, com apoio da CIMAC, que se realizou em 8 freguesias rurais dos concelhos de Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Alandroal e que resultou na edição de uma pequena publicação que regista o circuito e de um documentário sobre o projecto. 

O Cendrev continuou a propiciar o debate sobre a formação artística com o ciclo de conversas “Salão em Três Atos”, que registou 139 espetadores nas suas 9 sessões, acolhendo também um dos encontros “Criar e Produzir”, da Companhia Mascarenhas Martins e participando nos Encontros de Criação do Circuito Ibérico de Artes Cénicas

Na prática, incentivou-se a formação de novos artistas com Exercícios-Espectáculo dos alunos estagiários do Curso de Teatro da Escola André de Gouveia (2 sessões: 92 espetadores), dos alunos finalistas da Licenciatura em Teatro da Escola de Artes da Universidade de Évora (“À Espera de Godot” – 1 sessão: 64 espectadores e “A Receita” – 2 sessões: 149 espectadores) e através de uma residência de criação pela companhia de circo contemporâneo TreMoças. Acolheram-se também, em estágio profissional, dois alunos das áreas técnicas do Institut del Teatre de Barcelona

O coletivo abriu espaço à relação com as artes plásticas com a exposição “SAUDADE OU ET L’OR DE LEUR CORPS” na Biblioteca Pública de Évora ao abrigo do intercâmbio com a Escola Superior de Teatro e Cinema, com 1500 visitantes; a instalação “Ponto Cruzado Oblíquo” no âmbito da parceria com a Câmara Municipal de Arraiolos com a companhia chilena Niño Proletário, com 450 visitantes; celebrou a sua vida com a exposição “Cendrev – 48 anos em Cena” em Arraiolos, Cabeção e Lisboa, com cerca de 2000 visitantes; e participou na exposição sobre Gil Vicente, no Museu Nacional do Teatro e da Dança. Para além destas iniciativas, realizaram-se 20 visitas guiadas ao Teatro Garcia de Resende com um total de 472 visitantes

Graças ao apoio conjunto da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses/Direcção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Évora, o Cendrev encontra-se no exercício da gestão da programação do Teatro Garcia de Resende (equipamento credenciado pela mencionada RTCP), tendo programado 78 sessões às quais assistiram 11 728 espectadores. Nestas sessões contam-se as áreas de Dança (13), Teatro (26), Música (37) e Circo (2). O financiamento obtido permitiu promover 35 sessões de vários projectos de mediação culturale envolvimento com a comunidade, nos quais participaram 1473 pessoas. Entre estes contam-se a ação de formação para professores com a contadora de histórias Bru Junça, a oficina “Dançando com a Diferença”, o ciclo de espectáculos para a infância “Ver & Aprender”, a residência da Malvada Associação Artística, o retomar do Encontro de Teatro Ibérico, e a oficina de escrita criativa pela Cosmogama – Fabrice Melquiot. Este apoio abrangeu também a 16ª edição da BIME – Bienal Internacional de Marionetas de Évora, com 90 apresentações de 33 espetáculos, por 27 companhias, tocando um total de 24 000 espetadores

Ao todo, 2023 viu acontecer 155 espetáculos no Teatro Garcia de Resende, com a participação de 15 948 espetadores.

Não seria possível concretizar todas estas iniciativas sem as equipas do Cendrev, auxiliadas por vários colaboradores externos, em conjunto com as Juntas de Freguesia do concelho de Évora, e as parcerias com o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Centro de História da Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora, Biblioteca Pública de Évora e os Municípios de Arraiolos e Reguengos de Monsaraz. É vital também a parceria da Câmara Municipal de Évora, com o apoio que esta nos concede a todos os níveis. 

O Cendrev continua a trabalhar para que o Teatro Garcia de Resende se destaque como uma das principais salas de espetáculos a nível nacional enquanto continuamos a caminhar em direção ao privilégio de ver a nossa cidade ser Capital Europeia da Cultura em 2027. 

Fonte: Nota de Imprensa / CENDREV – Centro Dramático de Évora

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