Na 2.ª edição do encontro de Agendas Mobilizadoras com investimentos no Alentejo, âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foram apresentados 16 desses projetos. Indústrias e Tecnologias de Produção; Mobilidade, Espaço e Logística; Tecnologias Transversais e suas Aplicações; e Recursos Naturais e Ambiente foram as áreas temáticas em destaque.

A sessão, realizada no dia 19 deste mês, foi organizada pelo Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, seguindo-se a um primeiro evento realizado em abril do ano passado.

O seminário decorreu nas instalações do PACT e teve como objetivo fazer um ponto de situação das Agendas Mobilizadoras, contando com a presença do presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, Pedro Dominguinhos.

Antes de falar sobre esses avanços, importa definir o que são as Agendas Mobilizadoras. Na sessão de abril, Pedro Dominguinhos tinha explicado que “as Agendas Mobilizadoras estão enquadradas no PRR e tiveram como objetivo fundamental promover a inovação empresarial, mas acima de tudo juntar empresas que têm de ser líderes conjuntamente com a academia, quer universidades, quer politécnicos ou centros de investigação, com outros parceiros públicos e privados no sentido de produzir novo conhecimento”.

Esclareceu ainda que, “acima de tudo, visam oferecer ao mercado produtos, serviços e processos inovadores que garantam que a economia portuguesa fica mais robusta, que tem maior capacidade de exportação, que tem a possibilidade de criar empregos mais qualificados e globalmente que aumentará a competitividade da economia portuguesa e das empresas e dos parceiros envolvidos”.

Neste segundo encontro, Soumodip Sarkar, presidente executivo do PACT, realçou na sua intervenção a importância desta matéria.

“Enquanto líder do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT), tem sido com base no trabalho conjunto com as várias frentes que o PACT tem vindo a fazer a diferença no Alentejo”, assumiu, reiterando que “é por este motivo, e por fazermos parte de quatro agendas, que vemos as Agendas Mobilizadoras como uma oportunidade única para alavancar o desenvolvimento da região e do país”.

Na sua opinião, essa oportunidade “não surge apenas pelos apoios que proporcionam, mas principalmente pelo método de trabalho que promovem e pelas relações que constroem entre as principais entidades de cada área, que vão certamente dar origem a novos clusters, importantes para o futuro da economia portuguesa”.

Soumodip Sarkar evidenciou ainda que “este evento foi um espaço de debate e networking, fundamental para a articulação e gestão de iniciativas estruturais para o desenvolvimento regional, permitindo também dar a conhecer ao cidadão comum os impactos dos investimentos do PRR no seu território”.

Já em declarações ao Diário do Sul (DS), considerou que “devemos ter este tipo de eventos não só para as empresas, mas também para a população em geral conhecer o que está a acontecer nesta matéria”, apontando que “no terceiro encontro gostava que já fossem mostrados os protótipos e que ficassem aqui disponíveis para que o cidadão comum pudesse vir conhecê-los”.

Por sua vez, Aníbal Reis Costa, vice-presidente da CCDR do Alentejo, salientou na sua intervenção que “é importante incrementar as atividades colaborativas na região, nomeadamente entre as empresas da região e de fora, entre as empresas e os centros de conhecimento, entre os vários parceiros regionais”.

Na sua perspetiva, “as Agendas Mobilizadoras são indutoras de novas oportunidades de investimento, geração de empregos e maior robustez do tecido empresarial regional”.

Para Aníbal Reis Costa, “além da abordagem de cada projeto de investimento, é importante avaliar os resultados e os efeitos cumulativos porque há um conjunto de projetos com sinergias e potencial de alavancagem partilhada”.

Realçou também “o momento de atratividade empresarial do Alentejo e a boa capacidade de envolvimento das empresas e instituições de conhecimento da região”.

O mesmo responsável fez ainda referência “ao processo de redefinição estratégica da CCDR relativamente à sua missão e atribuições, às competências dos seus órgãos e às formas de funcionamento e de articulação com as outras entidades”.

Sublinhou também a importância de, “em contexto de maior articulação entre serviços, integrar uma vertente de desenvolvimento empresarial e incentivo a estratégias coletivas por parte do tecido empresarial regional”.

Relativamente ao ponto de situação, Pedro Dominguinhos disse ao DS que “as apresentações que assistimos agora revelam já uma execução física em termos de projetos no âmbito das Agendas Mobilizadoras, naturalmente a diferentes ritmos, mas que mostram aquilo que tem sido a capacidade das diferentes empresas e instituições de ensino superior e do sistema científico e tecnológico em conseguirem avançar para um conjunto de concretizações, que é particularmente sensível neste momento”.

O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR adiantou que “vimos apresentações onde em muitas dessas agendas estamos na fase da investigação e desenvolvimento para a criação dos primeiros protótipos e dos primeiros produtos”.

Comentou ainda que “uma das questões apontadas já em abril, e que agora se veio a concretizar, foi a dificuldade em contratar a quantidade de recursos humanos necessários para estas questões”.

Por outro lado, Pedro Dominguinhos focou que “as instituições de ensino superior também têm processos burocráticos relacionados com a contratação pública que demoraram, portanto houve aqui esta fase inicial, que era apontada como um problema, que se conseguiu ultrapassar”.

Destacou que “temos aqui um conjunto de concretizações que nos dão alento para os resultados que muitas dessas agendas têm de conseguir”, lembrando que

“há também um conjunto de questões relacionadas com os licenciamentos que exigem uma articulação particularmente exigente entre os diferentes organismos da administração pública”.

Para o mesmo responsável, “há outras articulações necessárias, em que o Alentejo é particularmente sensível e isso foi-nos apontado ao longo do tempo, pois não basta apenas a investigação, o desenvolvimento e o investimento, há outros serviços, designadamente a habitação, que são particularmente sensíveis porque na maior parte dos casos essas agendas estão a conseguir atrair pessoas altamente qualificadas, quer a nível nacional, quer do estrangeiro”.

Na sua ótica, “a articulação entre os diferentes atores do território, designadamente as autarquias, desempenha um papel para criar as condições necessárias para atrair e ter a capacidade de reter esses talentos que procuram outro tipo de exigências quando se localizam”.

Em jeito de balanço, Pedro Dominguinhos concluiu que “aquilo que foi possível verificar nesta sessão foi uma evolução particularmente positiva, já com muitos protótipos, em alguns casos já com negócio no terreno, mas com alguns sinais de alerta que as entidades públicas, as próprias empresas e os consórcios têm de tomar em atenção para alcançar os objetivos”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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