A Universidade de Évora (UÉ) iniciou este novo ano com a constituição da Cátedra do Solo e do Laboratório Vivo para a Regeneração do Sistema Agro-Silvo Pastoril do Montado.

A assinatura dos protocolos dos dois projetos decorreu na passada segunda-feira, contando com a presença de diferentes parceiros que estão envolvidos, nomeadamente universidades, empresas, centros de investigação, proprietários e entidades públicas e privadas.

À margem da sessão, Teresa Pinto Correia, investigadora do MED – UÉ, explicou aos jornalistas que “são duas iniciativas diferentes, mas que na realidade se tocam muito”, adiantando que “a Cátedra do Solo é financiada pela Bovicer, uma empresa da região, que tem uma herdade (Herdade da Parreira) e que produz, sobretudo, pecuária, mas em montado”.

Realçou ainda que “a empresa, que pratica há muitos anos uma agricultura de conservação baseada em conhecimento da UÉ, decidiu que era tão importante a investigação sobre o solo que deveria retribuir a investigação financiando esta cátedra, esperando que outros privados venham também a contribuir”.

A mesma investigadora referiu que “a ideia é financiar mais investigação sobre o solo que produza conhecimento a aplicar nas herdades que têm, sobretudo, montado”.

Quanto ao laboratório vivo, especificou que “também tem muito o solo no centro, mas é direcionado para todos os aspetos que são importantes para a regeneração do sistema agro-silvo pastoril do montado”.

De acordo com Teresa Pinto Correia, “é uma parceria diferente, em que não temos financiamento direto”, reiterando que “a ideia é estabelecer, em termos de protocolo, parcerias que na realidade até já existem, mas criando alguma continuidade”.

Revelou também que “tem um prazo de dez anos e poderá ser renovável”, destacando que “cada entidade ou cada exploração participante disponibiliza pelo menos uma parcela de até um hectare para fazer investigação e, portanto, eles comprometem-se que durante dez anos essa parcela está disponível para a investigação”.

A também docente da UÉ indicou que “depois há várias entidades de investigação, da administração, associações e empresas que devem colaborar na definição dos objetivos da investigação”, constatando que “é pensar a investigação muito mais aberta à comunidade e, no fundo, é estruturar uma rede que já existe, mas de uma forma informal”.

Deu ainda conta de que “são 38 entidades que assinam agora, mas as parcelas deverão ser mais, porque são 21 entidades da produção que assinaram o protocolo, mas como podem disponibilizar uma ou mais parcelas, esperamos chegar às 40 parcelas e termos uma distribuição por todo o Alentejo”.

A mesma investigadora evidenciou que “a parceria não tem financiamento, mas vai funcionar com financiamento de vários projetos”, sublinhando que “os projetos em conjunto, só para a UÉ e nos próximos três anos, chegam aos três milhões de euros”, reforçando que “não temos um financiamento dedicado ao laboratório vivo, mas vamos conseguir fazer a investigação porque temos vários projetos que podem contribuir”.

Relativamente a estes dois novos projetos, a reitora da UÉ, Hermínia Vasconcelos Vilar, considerou que “os protocolos assinados são particularmente importantes, desde logo, porque um incide sobre o solo, um elemento central da regeneração e da capacidade do sistema produtivo; enquanto o outro prende-se com o montado, um elemento essencial da paisagem do Alentejo e que está em risco, como foi dito nas várias intervenções”.

Na sua opinião, “criar uma cátedra e um laboratório vivo que incidem, no fundo, sobre o solo e a capacidade de desenvolver técnicas de regeneração do solo, atendendo à biodiversidade, ao equilíbrio dos fatores naturais e à sustentabilidade do território, é cada vez mais essencial”, lembrando que “discutir o montado é também perceber como é que este sistema, que é resiliente e que pode fazer face aos problemas das alterações climáticas, pode subsistir”.

A par disso, a reitora focou que “estas assinaturas são importantes porque põem em colaboração instituições com perfis diferentes”, defendendo que “é crucial refletir a abertura da universidade ao mundo real, mas também a importância que as empresas e as associações dão à colaboração com as instituições de ensino superior”.

Para Hermínia Vasconcelos Vilar, “é através dessa colaboração que podemos desenhar políticas, soluções e respostas para os problemas que nos afetam e que nos irão afetar cada vez mais, não só no Alentejo, mas de um modo global”.

Autor: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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