“Viver o Inverno com Saúde” foi o mote para o programa de dezembro feito em parceria entre a Unidade de Saúde Pública (USP) do Alentejo Central e a Rádio Telefonia do Alentejo.

A emissão teve a participação de Vera Leal Pessoa, médica especialista em Saúde Pública; Henrique Rosado, médico interno de Formação Geral; e Ana Filipa Roque, aluna de Enfermagem.

Filipa Roque começou por destacar que “o objetivo foi explorar os desafios que o frio nos traz e as suas implicações para a saúde física e mental, bem como abordar várias estratégias de prevenção”.

Recordou ainda que “a chegada do outono/inverno ao Alentejo traz consigo desafios específicos para a nossa saúde, nomeadamente a incidência de infeções respiratórias, especialmente gripes e constipações, contribuindo para este aumento, as temperaturas mais baixas e a propagação facilitada de vírus”.

A par disso, a aluna de Enfermagem evidenciou ainda que “o impacto na saúde mental é outro aspeto a considerar, uma vez que a redução da exposição à luz solar e os dias mais curtos podem contribuir para o aumento de sintomas relacionados com a depressão e a ansiedade”, lembrando também que “os problemas de pele, como ressecamento e sensibilidade, são comuns devido à baixa humidade e ao uso frequente de aquecimento”.

Nesse sentido, Filipa Roque realçou que “a necessidade de adotar medidas de prevenção, como vacinação e cuidados adicionais de higiene, é crucial para proteger a saúde da família contra as doenças sazonais”, reiterando que “a temporada do outono e inverno pode criar uma pressão adicional no sistema de saúde, pelo que é importante uma gestão eficiente de recursos e a colaboração entre a comunidade e os profissionais de saúde”.

No que diz respeito a infeções respiratórias, Vera Leal Pessoa focou que, nesta época, “existem vários vírus em circulação, nomeadamente o vírus da gripe (sobretudo, o tipo A) o vírus SARS-CoV-2 (maioritariamente, associado à linhagem recombinante XBB) e o vírus sincicial respiratório”.

Henrique Rosado referiu que “as doenças sazonais de outono/inverno são maioritariamente infeções virais, como a gripe e a constipação, pelo que os sintomas mais comuns são febre baixa, dor de garganta, tosse, congestão nasal, espirros, dores no corpo, falta de apetite, e, por vezes, até náuseas e diarreia”, salientando que “estas infeções são autolimitadas, ou seja, terminam espontaneamente, com ou sem tratamento específico e ao fim de 4/5 dias”.

Não obstante, alertou que “para as pessoas com doenças crónicas, como insuficiência cardíaca, asma, DPOC, diabetes ou pessoas imunocomprometidas os cuidados devem ser redobrados porque estão em risco de uma evolução menos favorável da doença, especialmente devido à exacerbação da doença de base”.

O mesmo médico interno disse que “deve-se considerar a procura de ajuda médica se os sintomas persistirem por mais de cinco dias ou se agravarem ao longo do tempo, se houver febre alta persistente (39º C), dificuldade respiratória, cansaço fácil, prostração, dores intensas ou outros sintomas graves”, indicando que “deve haver especial atenção com os idosos, os bebés e as crianças pequenas”.

Sublinhou também que “em caso de dúvida ou preocupação, é sempre aconselhável ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) ou consultar um profissional de saúde para uma avaliação e orientação adequadas”, resumindo que “devem ter-se em atenção os sintomas que referi antes de se deslocarem a um serviço de urgência”.

Henrique Rosado reforçou ainda que “os antibióticos não são indicados nestas infeções virais, são sim uma ajuda no combate a infeções bacterianas” relembrando que “o sobre uso de antibióticos é um problema de Saúde Pública”.

A importância da vacinação também esteve “em cima da mesa”, esclarecendo Filipa Roque que “é importante vacinarmo-nos contra a gripe e outras doenças sazonais para reduzir o risco de doença grave, internamento e morte por infeção”, explicando que “a administração das vacinas da Gripe e Covid-19 está recomendada para pessoas com 60 ou mais anos, grávidas e profissionais de saúde e que a vacinação é gratuita para estes grupos”.

Ao longo da conversa, também esteve em destaque “a importância do isolamento adequado de portas e janelas para impedir a entrada de correntes de ar frio e evitar que o calor saia de dentro de casa”, segundo Vera Leal Pessoa.

A médica especialista em Saúde Pública comentou ainda que “outro cuidado que devemos ter é no momento da escolha do sistema de aquecimento a instalar na nossa habitação”, concluindo que “um ambiente interior com uma temperatura e uma ventilação adequadas constitui um fator promotor de saúde, pelo que é fundamental encontrar o melhor equilíbrio entre ventilação e isolamento térmico”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Veja também

Programa da RTA destaca que “qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma”

A atividade física, em particular dos mais velhos, foi o tema escolhido para o programa de…