Enfermeira do Hospital do Espírito Santo de Évora está a desenvolver um Projeto de Investigação pioneiro que visa avaliar os “Efeitos da Vitamina D na Promoção da Saúde na Gravidez e o seu Impacto nos Indicadores de Resultado relacionados com a Prematuridade, na Região Alentejo”- Projeto VitDTracking.

A temática do Projeto foca a relevância dos níveis maternos de vitamina D e a sua associação à prematuridade, com a finalidade de melhorar os resultados de saúde materno-infantis, particularmente na redução dos partos prematuros evitáveis.

Em Portugal os níveis de vitamina D durante a gravidez nunca foram objeto de estudo e a sua associação com polimorfismos genéticos, até onde sabemos, nunca foi estudado a nível mundial. Dados epidemiológicos de vários países revelam alta prevalência de deficiência e insuficiência de vitamina D, sobretudo nas mulheres grávidas, considerado grupo de risco, sendo igualmente elevada com uma suplementação adotada de 400 a 600 UI/dia (dosagem usada em Portugal), durante a gravidez, considerada uma subdose. Este fenómeno está associado a desfechos adversos materno-infantis, tais como restrição de crescimento intra-uterino, pré-eclâmpsia, colestase, hipertensão e diabetes gestacional como causas major de prematuridade. Acrescenta-se ainda que a população portuguesa apresenta uma prevalência de alterações do genoma que lhe confere uma menor capacidade de produção de vitamina D a partir da exposição à luz solar. Estas características genéticas estão presentes em cerca de 19% da população, representando uma prevalência quatro vezes superior à média europeia, condicionando a uma maior predisposição à deficiência deste micronutriente.

Consciente desta lacuna, , Olívia Barbosa, Enfermeira mestre em Gestão de Unidades de Saúde e especialista de Saúde Infantil e Pediátrica do Hospital do Espírito Santo de Évora, começou a desenvolver em Janeiro de 2022, o Projeto de Investigação VitDTracking, inserido no Curso de Doutoramento em Ciências e Tecnologias da Saúde e Bem-Estar. O Projeto na sua conceção envolve a realização de 2 estudos observacionais multicêntricos nas organizações de Saúde da região Alentejo (Évora, Beja, Portalegre e Elvas) com uma amostra mínima total de 1000 grávidas, integrando cuidados de saúde primários e diferenciados, tendo como colaboradores locais os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros.

O estudo 1: Níveis de vitamina D durante a gravidez e o seu impacto nos indicadores de resultado relacionados com a prematuridade, tem como objetivo avaliar o impacto que a prevalência de hipovitaminose D tem nos indicadores de resultado da prematuridade. Envolve a monitorização dos níveis de vitamina D, na vigilância pré e pós-natal, adicionando este biomarcador às colheitas de sangue de rotina.

O estudo 2: Hipovitaminose D e fatores associados: um estudo com grávidas, na região Alentejo, tem como objetivos identificar a existência de polimorfismos genéticos relacionados com a vitamina D e avaliar associações com desfechos clínicos adversos, relacionados com a prematuridade. Envolve o pedido de análise da componente genética, efetuado pelo colaborador médico local e a recolha de saliva realizada pela grávida (método não invasivo) para a pesquisa de polimorfismos em 7 genes relacionados com a pesquisa.

“A falta de dados epidemiológicos sobre a prevalência de hipovitaminose D nas grávidas e a existência de polimorfismos genéticos na população portuguesa motivou esta pesquisa, que pode vir a constituir uma prática inovadora na vigilância pré e pós-natal em Portugal”, esclarece Olívia Barbosa, autora e investigadora principal. “A integração destes biomarcadores na vigilância pré e pós-natal no Alentejo – uma das regiões com maior exposição solar do país, terá uma importância estrutural, realçando a ação da vitamina D no sistema imunitário e o seu papel como modeladora epigenética, permitindo que o desenvolvimento fetal ocorra com todo o seu potencial, influenciando a infância e a idade adulta”, acrescenta a Enfermeira do Hospital do Espírito Santo de Évora e membro integrado do Centro de Investigação Comprehensive Health Research Centre.

A pesquisa em Évora tem como colaborador médico local o diretor do serviço de Obstetrícia e Ginecologia, Dr. Fernando Fernandes. Neste momento o Projeto encontra-se na fase de análise de dados do pré-teste.

Fonte: Nota de Imprensa / Hospital do Espirito Santo-Evora, EPE

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