O Teatro Nacional D. Maria II está em Odisseia Nacional por todo o país, enquanto o seu edifício está em obras de requalificação, passando por 93 municípios. Neste seu périplo pelo território continental e ilhas, chegou agora ao sul, com uma programação variada em 26 concelhos do Alentejo e do Algarve.

Um dos destaques vai para “A Farsa de Inês Pereira”, uma peça de Gil Vicente reescrita e encenada por Pedro Penim, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II. Tem a sua estreia marcada para hoje, às 21 horas, em Évora, no Teatro Garcia de Resende, onde fica em cena até amanhã.

O elenco do espetáculo é composto por Ana Tang, Bernardo de Lacerda, David Costa, Hugo van der Ding, João Abreu, Rita Blanco e Sandro Feliciano.

Em declarações aos jornalistas, Pedro Penim contou como foi trazer a Inês de Gil Vicente para 2023. “Foi um processo muito criativo porque o Gil Vicente tem uma escrita altamente inspiradora, o vocabulário é aquele português arcaico, mas que nos habituámos a estudar no secundário”, realçou.

O mesmo diretor artístico explicou que “tentei recuperar algum desse vocabulário e escrever uma peça em verso como se se tratasse de uma peça do século XVI, mas sendo efetivamente uma peça do século XXI”.

Foi precisamente isso que perguntámos a David Costa, a atriz que interpreta a personagem principal desta peça. Quem é esta Inês Pereira? “Ela é um reflexo de uma geração que se vê completamente impotente, mesmo de agir politicamente, e de ter algum sentido de mudança”.

Acrescentou que “ela apoia ideias bastante provocadoras, como a abolição do trabalho, do género ou do dinheiro para haver de facto essa mudança”, frisando que “casar-se com um rico seria uma forma de empoderamento porque ela poderia subverter a lógica”.

Por sua vez, Rita Blanco, a mãe da Inês nesta peça, comentou que a sua personagem “é de outra geração, ela própria considera que não se pode trabalhar e ser oprimido e que tem de haver uma mudança na forma como se trabalha”, mas “sendo de outra geração, acredita no trabalho e que é através do trabalho que se chega às mudanças necessárias”.

A atriz evidenciou que na peça está latente “um confronto de gerações”, reiterando que “aquilo que para a Inês é uma forma de contestação, como o querer casar com um rico, para esta mãe é um retrocesso e ela não entende que a filha o faz como uma forma de resistência passiva”.

Ainda sobre a Odisseia Nacional, Rui Catarino, presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional D. Maria II, adiantou que “tem sido um processo de aprendizagem e de conhecimento mútuo”.

Na sua opinião, “deixa muitas sementes no terreno que podem germinar, fazendo com que o Teatro Nacional D. Maria II tenha no futuro, mesmo depois de reabrir o edifício, esta vocação muito mais nacional de uma presença efetiva em todo o território que neste momento é exigida, e bem, do teatro”.

Leia a notícia na íntegra na edição de hoje do jornal Diário do Sul.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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