Oito vinhos e um azeite vão ler lançados pela Adega Cartuxa no início de novembro numa edição comemorativa dos 60 anos da Fundação Eugénio de Almeida (FEA).

A apresentação destes novos néctares decorreu no dia 12 de outubro, num evento realizado no Páteo de São de Miguel, em Évora, dirigido, sobretudo, à comunicação social regional, nacional e internacional, muito focada para o mercado brasileiro.

A sessão contou com a intervenção do presidente do Conselho de Administração da FEA, D. Francisco Senra Coelho, arcebispo de Évora.

Um dos momentos mais esperados era a apresentação dos novos vinhos e azeite, que foi feita pelo enólogo Pedro Baptista, numa conversa com Luís Lopes, da revista de vinhos “Grandes Escolhas”.

O evento ficou ainda marcado por uma visita guiada ao Páteo de São Miguel, nomeadamente ao Arquivo Histórico, Museu das Carruagens, Biblioteca e Palácio dos Condes de Basto, terminando com um jantar na Enoteca Cartuxa.

Em declarações ao Diário do Sul, João Teixeira, diretor da Adega Cartuxa, fez um enquadramento deste projeto no universo da marca.

“Esta foi a maneira que encontrámos da Adega Cartuxa se associar aos 60 anos da FEA”, explicou, lembrando que “a Adega Cartuxa é a principal fonte de rendimento da FEA, é quem permite financeiramente à FEA cumprir a sua missão social, cultural, educativa e espiritual aqui na região de Évora”.

O mesmo responsável reforçou que “a melhor maneira que a Adega Cartuxa encontrou de se poder associar foi através de uma edição comemorativa, limitada, de seis vinhos tintos varietais, um vinho que é um ‘blend’ dos outros seis e um vinho branco, não esquecendo também a importância cada vez maior que é o azeite dentro da realidade da Adega Cartuxa”.

A este respeito, referiu que “tudo isto dentro de uma embalagem comemorativa, limitada a uma tiragem de apenas mil garrafas de cada, que estarão disponíveis a partir da primeira semana de novembro”.

Por sua vez, o enólogo Pedro Batista, que é também diretor agroindustrial da FEA, acrescentou que “é um conjunto de oito vinhos e um azeite que foram pensados e construídos para se juntarem a este ano comemorativo dos 60 anos de existência da FEA”.

Adiantou que “o projeto partiu de uma base de seis vinhos monovarietais, cada um de uma casta”, frisando que “são seis castas tintas e que pretendem representar cada uma delas uma década de vida da FEA”.

De acordo com Pedro Baptista, “a escolha das castas foi feita tendo em consideração aquele que é o vinho mais emblemático e mais conhecido da FEA, o Cartuxa, neste caso o Cartuxa Tinto Colheita”.

Reiterou que “é um vinho emblemático para a FEA e quisemos, de alguma forma, desconstruí-lo casta a casta, com castas que entram na construção deste vinho ano após ano, desde a sua primeira colheita de 1986 até à última lançada ao mercado, a de 2019”.

O enólogo focou que, “na nossa interpretação, de alguma forma também contribuem para a diferenciação deste vinho face àquilo que são os outros vinhos da região”.

Deu ainda conta de que “essas castas foram a Moreto, Castelão, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Aragonez e Trincadeira, que são apresentadas individualmente, em vinhos que foram preparados para o momento”.

De acordo com Pedro Baptista, “como a FEA é, sobretudo, um produtor de vinhos de lote, aliás Portugal é um produtor de vinhos de lote, juntámos num lote único estas seis castas, em proporções diferentes, construindo um sétimo vinho que quer representar efetivamente a forma como estas castas se complementam e são apresentadas habitualmente ao consumidor”.

Comentou também que “não poderia deixar de existir um vinho branco de lote, em que dominam as castas Arinto e Roupeiro, complementadas com pequenas percentagens de outras castas”, revelando que “foi produzido de uma forma muito tradicional, sem qualquer intervenção”.

O enólogo especificou que “é um vinho que pode inclusivamente apresentar até algum depósito com o tempo porque não foi estabilizado, nem filtrado para preservarmos ao máximo todas as suas características dentro daquilo que é a identidade de um vinho muito clássico alentejano”.

Avançou ainda que “a estes oito vinhos, todos da colheita de 2021, juntámos um azeite que foi produzido na última campanha, de 2022/23, e que completa este conjunto comemorativo dos 60 anos da FEA”.

Importância do mercado brasileiro para a Adega Cartuxa

Durante esta apresentação dos vinhos Cartuxa – 60 Anos da FEA, João Teixeira revelou alguns dados referentes à produção e aos principais mercados da Adega Cartuxa, destacando que “a produção anual ronda 5 500 000 garrafas e que, em 2022, faturámos 23 milhões de euros”.

O diretor da Adega Cartuxa frisou que “não estamos tanto focados no volume, obviamente que temos preocupações e alguns cuidados com o que a produção produz, mas tudo o que nos orienta é no valor faturado, no preço unitário no valor de venda, no posicionamento de valor acrescentado dos nossos produtos, ainda que tenhamos sempre algum cuidado, especialmente nos vinhos de entrada de gama, com os números de venda em volume”.

Relativamente à média de vendas a nível interno e externo, indicou que “o mercado nacional representa cerca de 60 por cento, enquanto o mercado internacional ronda os 40 por cento, ainda que possam existir variações consoante os anos”.

João Teixeira realçou ainda que “o Brasil tem sido um dos principais vetores de crescimento da Adega Cartuxa e é cada vez mais o principal mercado de exportação”, constatando que “para a Adega Cartuxa representa cerca de 30 por cento do seu volume de negócios, do seu valor faturado em 2022”.

Dando nota da importância deste mercado, apontou que, “em 2022, a Adega Cartuxa foi o exportador número um de vinhos europeus em valor para o Brasil”, considerando que “é uma marca simbólica e representa o culminar de uma estratégia que começámos a implementar em 2018, que trouxe os seus excelentes resultados em 2022 e que nos permitiu que 2022 tivesse sido o melhor ano de faturação de sempre da Adega Cartuxa”.

Não obstante, o mesmo responsável evidenciou que, “foi verdade no mercado brasileiro e de exportação, mas também foi verdade no mercado nacional, onde também tivemos um crescimento significativo, muito pelo facto de tudo o que é canal direto de distribuição ser controlado e dirigido diretamente pela Adega Cartuxa e termos encontrado um parceiro para o canal Horeca (restauração e hotelaria) que se alinha muito com o que é a estratégia da Adega Cartuxa na estabilidade de preços e posicionamento de valor dos seus produtos”.

O contributo da Adega Cartuxa para a “missão” da FEA

A Adega Cartuxa assume particular relevância no trabalho desenvolvido pela FEA, cuja missão passa por várias vertentes.

A respeito da apresentação dos novos vinhos, a administradora executiva da FEA, Maria do Céu Ramos, salientou que “a comemoração dos 60 anos da FEA tem que celebrar e apresentar à comunidade as diferentes facetas da vida da Fundação”.

Sublinhou que, “pese embora os fins da FEA serem o desenvolvimento cultural, social, educativo e espiritual da comunidade e da região, por trás destas finalidades existe uma realidade extremamente rica, também ela profundamente geradora de valor social, para além do valor económico e do valor enológico”.

Segundo a mesma responsável, “essa é a realidade da produção de vinhos, do vasto património de terra ligado à FEA pelo seu instituidor (Vasco Maria Eugénio de Almeida)”, recordando que “uma grande parte é o património vitivinícola da Fundação, a partir do qual se produzem vinhos de enorme qualidade e se gera rendimento económico que é depois transformado em rendimento social para a comunidade”.

Na sua perspetiva, “a apresentação dos vinhos tem um lugar próprio e tem uma identidade própria, como foi possível ouvir pelo enólogo Pedro Baptista na apresentação de cada uma das marcas”.

Para Maria do Céu Ramos, “a autenticidade das castas que se usam nas vinhas da FEA e a valorização que se faz da terra enquanto fator de enraizamento da instituição, mas também de produção e geração de desenvolvimento sustentável é outra das facetas da celebração destes 60 anos e que é um importante legado para o futuro”.

Pode ver a reportagem vídeo no seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=g-gs9eTAPPI&t=6s

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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