Depois de um interregno de alguns anos, Évora volta a ter o Encontro de Teatro Ibérico. Esta é uma iniciativa promovida pelo Cendrev – Centro Dramático de Évora, que está a decorrer no Teatro Garcia de Resende desde segunda-feira e que se prolonga até ao próximo sábado.

Seis companhias de Portugal e Espanha integram o cartaz, que, além dos espetáculos, inclui ainda um conjunto de conversas, em que o público também é convidado a participar.

No primeiro dia, foi a vez de “Um Hamlet Tragicómico”, de Paulo Calatré, do Teatro das Beiras, subir ao palco; seguindo-se, na terça-feira, “O Homem do Caminho”, de Plínio Marcos, com encenação de José Caldas, que é um coprodução A Escola da Noite e Quinta Parede.

Hoje, está previsto “Viaje a Pancaya”, a partir de textos do Siglo de Oro, com direção de Cristina Yañez, da Tranvía Teatro; enquanto amanhã é a vez do “Libro de Buen Amor”, de Arcipreste de Hita (versão de Agustín Iglesias), do Teatro Guirigai.

Para sexta-feira, o programa inclui “O Cerco de Leninegrado”, de José Sanchis Sinisterra, do Teatro em Curso; encerrando o encontro, no sábado, com “Magnético”, de Abel Neves, do Cendrev.

Quanto às conversas, vão decorrer entre hoje e sexta-feira, das 17h30 e as 19h00, e no sábado, entre as 16h00 e as 19h00, adiantando o Cendrev que “os intervenientes serão os representantes das companhias, assim como outros convidados (cenógrafos, músicos, figurinistas), sendo as mesmas abertas ao público”.

Segundo a mesma fonte, “o Encontro de Teatro Ibérico teve a sua primeira edição em 2003, numa parceria com o Instituto Internacional de Teatro do Mediterrâneo, e o caminho percorrido até 2012 permitiu desenvolver um conjunto de relações no espaço ibérico que contribuíram para aproximar estas duas realidades, através do conhecimento das dramaturgias e do trabalho teatral realizado em ambos os países”.

O Cendrev explicou ainda que “este projeto foi agora retomado com o financiamento da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Évora, no âmbito da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses”.

Em entrevista à comunicação social, José Russo, diretor do Cendrev, afirmou que, “nos últimos anos, não temos feito o Encontro de Teatro Ibérico, mas agora é possível retomá-lo com este financiamento”, realçando que “é uma mostra de teatro português e castelhano, que neste caso traz espetáculos de autores portugueses e espanhóis”.

Acrescentou que “a relação ibérica é uma das que temos privilegiado ao longo de todo o percurso do Cendrev e o Encontro de Teatro Ibérico é uma iniciativa que também resulta desta experiência e desta relação”.

O mesmo responsável sublinhou que “o teatro é interessante enquanto leitura, mas é sobretudo uma escrita que se faz para ser representada, pois a essência do teatro é a relação com o público”.

Nesse sentido, frisou que “nestes encontros, para além da parte teórica e de reflexão, quase desde o início também integrámos a componente dos espetáculos”.

José Russo destacou que “queremos que o encontro seja um espaço para potenciar essas experiências; ter cá, por exemplo, dramaturgos que até poderão ter uma companhia aqui a representá-los e conversar sobre isto tudo”, reiterando que “estes encontros promovem naturalmente sinergias entre o mundo teatral dos dois países”.

Na sua opinião, “outro elemento muito importante é a participação do público, não só a ver os espetáculos, mas também a participar no espaço de conversa”,

Relativamente aos espetáculos, o diretor do Cendrev especificou que, “embora possam ter uma classificação para maiores de 12 anos, por exemplo, podem ser vistos por qualquer espetador”.

Anunciou ainda que, “este ano, estamos a fazer uma experiência e quase todos os espetáculos são às 19 horas, exceto o de hoje que é às 21h30 porque já tínhamos um concerto agendado para este final de tarde”.

José Russo comentou que “esta aposta das sete da tarde é precisamente para testar esse horário, que pode facilitar a presença de escolas, mas também das pessoas que moram na periferia e depois já não têm vontade de voltar ao centro da cidade”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS

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