“Longevidade com Qualidade”. Este foi o tema levado à antena da Rádio Telefonia do Alentejo pela equipa da Unidade de Saúde Pública (USP) do Alentejo Central, no programa de junho.

A sessão contou com a participação da médica interna de Formação Geral, Rita Nunes, e das enfermeiras Andreia Louro e Lurdes Baía

Este programa teve início de uma forma um pouco diferente. Lurdes Baía começou por contar a história do senhor Alberto, dando a conhecer um dia na vida deste idoso. A sua rotina diária, as suas preocupações e os seus vícios foram alguns dos pontos abordados neste relato.

No final do conto, que de certa forma espelha o dia-a-dia de alguns dos nossos seniores, Rita Nunes fez uma análise dos diferentes aspetos destacados.

“Quando toca o despertador do senhor Alberto, verificamos que este já acorda triste, ansioso e preocupado com as discussões no contexto familiar”, referiu, salientando que, no entanto, “ele não se deixa ficar na cama de pijama, levanta-se e faz a sua rotina matinal, o que é um ponto positivo da história”.

A médica interna realçou que “a primeira atividade do dia é ir ao café tomar o pequeno-almoço”, constatando que, “apesar do café ser perto de casa, o senhor Alberto escolhe ir de carro, contribuindo para a sua inatividade física”.

A par disso, salientou outros aspetos negativos, como o facto de “consumir álcool na primeira refeição do dia e jogar no euromilhões e comprar algumas raspadinhas, atividade que, no decorrer da história, verificamos que é recorrente”.

De acordo com Rita Nunes, “em casa, senta-se no sofá e liga a televisão, e começa outra vez a ficar ansioso e triste”, focando que “para combater este estado de humor, toma a sua segunda bebida alcoólica antes do almoço e, mais tarde, verificamos que o almoço se baseia numa refeição congelada e mais três copos de vinho”.

Acrescentou que, “à tarde, dirige-se mais uma vez ao café, onde consome mais bebidas alcoólicas com os amigos, deixando-o já mais animado ao final da tarde, e segue-se um jantar em casa da filha, onde se sentam à mesa em família e tem finalmente acesso a uma refeição de qualidade cozinhada em casa”.

No entanto, a médica interna frisou que, “rapidamente se gerou uma discussão, pois o neto tinha recentemente confessado o seu interesse num rapaz e o pai não tinha gostado, o que levou o senhor Alberto a sentir-se, mais uma vez, preocupado e ansioso”.

Ao longo desta conversa, são ainda mencionados alguns autocuidados que este idoso deveria ter, nomeadamente “a ingestão de água e outras bebidas, sempre com atenção ao nível de açúcar; uma alimentação equilibrada, evitando alimentos processados; 30 a 60 minutos de atividade física de intensidade moderada por dia; o sono é outra parte muito importante, tal como a higiene e o saneamento básico; além do combate ao isolamento social também ser um pilar importante dos autocuidados”.

Rita Nunes alertou também para o consumo de jogos, como as raspadinhas, euromilhões, totobola, entre outros, que pode ser um problema, ao tornar-se excessivo.

A par disso, realçou também que “o álcool continua a ser um problema de saúde pública importante em Portugal”. Exemplificou que, “em 2021, verificaram-se 2544 óbitos por doenças atribuíveis ao álcool, sendo que 52,6 por cento destes óbitos foram em pessoas com mais de 65 anos de idade”.

A mesma médica interna fez ainda referência ao clima de tensão entre o neto e o genro do senhor Alberto e aproveitou para lembrar que junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+, desmitificando algumas questões relativas à homossexualidade.

Já na reta final do programa, Andreia Louro frisou o papel que o enfermeiro tem no processo do envelhecimento saudável.

Adiantou que “é da competência do enfermeiro promover a adaptação do idoso a nível físico, psicológico e social, ajudando-o a encontrar estratégias de adaptação que favoreçam o autocontrolo/autocuidado, para que desta forma consiga atingir o máximo de autonomia na realização das atividades de vida diárias”.

Na sua opinião, “é imprescindível preparar a população para o envelhecimento com qualidade e potenciar comportamentos/atitudes saudáveis, de forma a prevenir o surgimento de doenças e promovendo a autonomia”.

Segundo a mesma enfermeira, “é necessário potenciar as oportunidades de bem-estar físico, social e mental, durante o ciclo de vida, com o objetivo de aumentar a qualidade de vida na terceira idade”.

Para Andreia Louro, “a promoção de um envelhecimento ativo, preservando as capacidades da pessoa idosa, tem de ser uma das prioridades da intervenção dos profissionais de saúde, nomeadamente dos enfermeiros”.

Autor: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS

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