Roncar dos potentes motores contagia e ouve-se com mais frequência no Alentejo

Faça chuva ou faça sol, ei-los que saem aqui na cidade de Évora e arredores com as pujantes máquinas em jeito de passeio ou para ver os seus ídolos a quilómetros de distância, sob a forma de prova, de hobby e até de treinos. Dizem que este ‘bichinho’ pela potência das máquinas, de tão forte que é os vicia e, por isso, sempre que reunidas condições, em grupo de amigos ou isoladamente, aí vão eles estrada ou pista fora, com a adrenalina em alta. O reverso da medalha, também se encontra, há proprietários que não apreciam a passagem destas máquinas de velocidade, porque lhe invadem os terrenos e deixam estradões, portões e acessos às suas terras em muito mau estado. Gostos à parte, este desporto é responsável por um enorme movimento de ‘massas’ e, encontra-se em crescendo, sendo o impato da prática de provas desportivas desta natureza, muito relevante para a economia das cidades e regiões onde estas têm lugar.

Foto – cortesia Paulo Tabanez / PHOTOTABANEZ

Agora que o 17.º Troféu YAMAHA 2022 já fez tempo que chegou ao fim, com a quarta e derradeira etapa do mais antigo Troféu de Todo-o-Terreno disputado em Portugal, a ter lugar em Évora, para gáudio dos entusiastas de desporto motorizado, com o apoio do Município de Évora e de entidades privadas, que prepararam um terreno situado em frente ao Évora Plaza, onde habitualmente é projetado um traçado para a realização de provas desta natureza. Aqui se instalou toda a estrutura organizativa da prova bem como a arquitetónica do Paddock, para equipas e pilotos. Acabado o espetáculo competitivo, na cidade, ainda assim, continuam as motos, jeepes, quadricíclos e protótipos de rali, a roncar por ali, agora que terminou também as 24 Horas TT Vila de Fronteira, outra das provas desportivas organizadas no Alentejo. Entretanto, por estradas de terra batida, da cidade, do concelho e do distrito, aí estão eles (os motores) que nem o pó ou a lama mete medo aos seus condutores – pelo contrário, ainda lhes dá mais ‘pica’, afirmam – e sucedem-se as quedas e avarias, que não se desejam, mas que às vezes acontece aos descuidados; não se tratasse dos seus adeptos serem a maioria amadores e outros que tais, mas com muito gosto por este(s) desporto(s) de profissionais; que não sai nada barato a sua prática e acompanhamento, dado o atual preço dos combustíveis.

Foto – cortesia Sérgio Gama

Depois, também existem os fãns pelas corridas, em pista (MotoGP), atentos às últimas novidades dos seus pilotos de eleição e estes a fazer-lhes as delícias em fotos personalizadas e autografadas, que posteriormente publicam nas redes sociais. Imperdível é o like feito e partilhado à exaustão e, com a inevitável compra do material de merchandising. Estes interessados, sabem de cor posições na grelha de partida, respetivos tempos da última prova e principais características das motos e suas respetivas equipas de pilotos. Mas, ainda falta referir os adeptos dos videojogos, que se agigantam em vasto número, com maior facilidade, dada a faixa etária abrangente dos seus fãs, começando desde tenra idade e sem limite para a prática deste desporto online ou por jogos adquiridos para consolas. Estes, possuem toda uma parafernália de material informático adequado para o fazer e, ali gastam minutos a realizar tarefas como personalizar os veículos com que correm, a conquistar o melhor tempo possível em prova.
Note-se que, a seu tempo, para satisfazer e agudizar o interesse de todos estes três tipos de apreciadores de desporto motorizado, o «diário do SUL» conta sempre com a preciosa colaboração de Fernando Rei e Vítor Almeida, enviados especiais deste jornal, às principais provas desportivas do País, no âmbito da modalidade e a algumas de nível internacional, através dos quais nos é possível dar ‘notícia’ do que ali ocorre, sempre com brio e profissionalismo.

De ressalvar também, que atualmente está no ar um programa de rádio de Desporto Motorizado, denominado «16Válvulas», na Rádio Telefonia do Alentejo, emitido aos sábados, às 18h00, com condução e locução do experiente Gonçalo Sousa Cabral, coadjuvado por António Ribeiro, há muito interessados por esta temática, com largos anos de cobertura e emissão radiofónica da matéria. Para saber mais e, ir ao cerne da questão, deste avolumar de gente com simpatia pelo ‘broar’ de um motor na máxima potência, ouvimos alguns testemunhos de eborenses, em primeira mão, enquanto praticantes, adeptos e simpatizantes destas modalidades; gente que se movimenta no meio das lides das máquinas de velocidade estonteantes. A reter, as diferentes opiniões…

Ségio Gama que é eborense, militar da GNR, praticante de TT, piloto não federado a título próprio deste hobby e adepto entusiasta de provas de rali, circuito aberto ou fechado e motociclismo em pista.

Sérgio Gama, em prova, ao volante da sua Quad SUZUKI LTR 450.

Disse-nos gora, enquanto adepto “os eborenses e a população Alentejana, tem um gosto pelos motores e por desportos motorizados em geral. Associado a esses desportos, o som dos motores, é o que nos faz arrepiar, pois por vezes ainda não estamos a ver os veículos, mas são só o som que eles emitem, da-nos um gosto especial.”
E, quanto à justificação que encontra para se calcorrear distâncias para assistir a espetáculos desta modalidade desportiva, Sérgio Gama avança que “a paixão que se tem pelo desporto motorizado, sobrepõe-se a algumas contrariedades atmos-féricas que se possam apanhar por aqueles pequenos momentos, à passagem de um veiculo motorizado. As várias modalidades que existem, decorrem ao longo do ano e, por vezes, para alimentar esta paixão e sentir aqueles arrepios que só quem sente aquele prazer, sabe o que isto é, há que fazer muitos quilómetros, apanhar pó, lama, chuva, vento, calor, mas, ‘perdoa-se o mal que faz, pelo bem que sabe!’”
Hoje em dia, existe um senão para o desenvolver destes desportos – o preço dos combustíveis – o que prejudica a prática, quer por parte dos profissionais, quer pelos amadores, questão ao que Sérgio Gama retorquiu, “o desporto motorizado é um desporto que é dispendoso, começa logo de forma inicial pela aquisição do veículo, seja um automóvel ou mota. Depois, para se praticar a modalidade de forma mais segura e competitiva, há que colocar alguns acessórios, tais como extintores, corta-correntes e equipamento individual dos pilotos, além dos atual acréscimo quase semanal do preço dos combustíveis, lubrificantes e tudo o que um veículo necessita para a sua locomoção e manutenção.

Sérgio Gama, já ‘correu’ com o apoio/patrocínio do «diário do SUL» e Rádio «Telefonia do Alentejo» – 103.2FM
na ‘rainha das competições’ do Todo-o-Terreno no Alentejo, no distrito de Portalegre.

Questionado sobre se não existe receios por parte de quem conduz, compete e assiste a estes desportos – o entusiasta responde “qualquer desporto tem os seus riscos, mas relativamente ao desporto motorizado, é natural que esse nível de perigosidade seja superior, pela sua velocidade e necessidade de arriscar no tipo de condução para se tirar o máximo partido da máquina e, consequentemente na conquista de resultados. Contudo, para se ter prazer na condução de um veículo desta natureza, não quer dizer que seja necessariamente perigoso, pois com uma condução defensiva e respeitando a margem de segurança, já se consegue alimentar o gosto pela condução e competição”.
O praticante e amante dos ‘motores’ diz ainda, que na sua opinião “por norma, quem é amante destes desportos motorizados já foi ou ambiciona ser um dia, praticante de alguma das modalidades, no entanto, devido aos custos que este tipo de desportos acarretam, apenas uma pequena parte tem a possibilidade de o fazer. Mas os verdadeiros amantes destes desportos, alimentam a sua paixão com a possibilidade de se deslocarem a assistir às provas, sejam regionais, nacionais ou internacionais e poderem interagir com os pilotos e máquinas”, concluiu.

Paulo Tabanez que, também é eborense e fotógrafo freelancer credenciado, de provas desportivas todo-o-terreno; já registou a passagem na linha de meta e não só, a milhares de pilotos participantes nestes eventos. Ouvimo-lo, pela sua vasta experiência nestas andanças…

Paulo Tabanez / PHOTOTABANEZ (em pé, à direita) a registar a passagem dos pilotos
nas principais provas de desporto motorizado no Alentejo.

Tabanez afirma “sem dúvida que temos eborenses que são grandes interessados pelos desportos motorizados, assim como alguns praticantes do mesmo, sendo mesmos campeões nacionais de várias modalidades de desportos da área.” Sagaz apreciador desta prática, Paulo Tabanez vai dizendo “é um facto o que nos leva a seguir o desporto motorizado no terreno… julgo que é preciso gostar muito; pois tem que se ter um espírito aventureiro muitas das vezes, nem falo muito por mim (pois sou creditado como fotógrafo), mas sim pelo público, que tem que muitas das vezes de cumprir kms a pé para vê-los (aos pilotos) passar; quanto a todos nós, respirar-mos o cheiro a gasolina queimada e escutar o ronco dos motores – como se costuma dizer ‘é música para os nossos ouvidos’; o sol, a chuva ou a lama são o nosso spa (risos)”.
Já quanto à despesa gasta para maior satisfação da atividade desportiva ou lúdica, Tabanez apercebe-se que “este desporto é de facto um desporto muito dispendioso, também pelo custo dos combustíveis, mas nem tanto, devido a eles, mas sim à preparação das viaturas e toda a logística de que é composto e o envolve”.
…e no que concerne ao grau de perigosidade enquanto praticante/piloto/espetador, o fotógrafo regista “sim é verdade, mas todos os desportos têm os seus riscos, este em particular digamos que o risco é mais elevado devido a vários fatores: velocidade, domínio de uma máquina, terreno irregular, quebra de uma peça, acidente entre concorrentes ou até mesmo envolvendo espetadores; são vários os episódios que fazem deste desporto um desporto com alguns riscos elevados. Como perguntavas, já assisti a muitos destes momentos menos agradáveis do desporto motorizado, mas também há que referir que, cada vez mais, o desporto motorizado está mais seguro, pois as federações empenham-se e olham para a segurança de pilotos e público com olhos de ver”.

Imprevistos estão sempre a acontecer; o fotógrafo estava lá para documentar. — Foto: Paulo Tabanez / PHOTOTABANEZ

Quem faz a cobertura fotográfica deste tipo de provas, vê o espetáculo doutra maneira e tem acesso a zonas onde o público não tem o privilégio de permanecer. Paulo Tabanez opina, que “são poucos os pilotos conseguem ser pilotos, mas já o contrário se passa com o público, esse sim é grande entusiasta e é relativamente fácil, hoje em dia, juntar-se 4 ou 5 amigos e irem por este País fora e mesmo até à vizinha Espanha, acompanhar provas de desporto motorizado.”

Élio Carreiro, natural de Évora e operador/mecânico fabril é fã ferrenho de Miguel Oliveira (#88), o piloto revelação português de Moto GP, atleta nacional de maior mediatismo na sua categoria competitiva.

Élio Carreiro – quando o sonho se tornou realidade; assistir a provas in loco – Autódromo Internacional do Algarve

À conversa com este seguidor acérrimo, o mesmo sustenta que “já existem muitos eborenses (alentejanos) e não só, que como eu e a minha família, não resiste a assistir às provas do nosso ídolo, via TV, internet e in loco. Já somos muitos e a legião cresce, de dia para dia… agora também já o podemos ver ao volante auto, a competir em rali”, afiança.
Questionado sobre o que os leva a fazer quilómetros, e apanhar sol ou chuva para assistir a provas em específico, diz-nos, “este hobby não se explica, mas sente-se; uma paixão imensa por toda a envolvente das provas; pelo cheiro emanado pelas máquinas; pelo debitar de rotações emitido pelos motores e, claro, pela máxima simpatia pelo piloto mais admirado – só isto basta!”, retorquiu.
Não sou praticante da modalidade, mas consigo sentir o vibrar, como se fosse eu próprio o condutor em prova – adoro a modalidade de MotoGP e já deixo descendência com o mesmo gosto”, diz Élio Carreiro.

Vídeos relacionados com a notícia em: https://fb.watch/hokNrddBNK/

Leia mais e na íntegra sobre esta temática, na edição impressa do «diário do SUL» de 09/12/2022

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