“O Comendador Rui Nabeiro é um admirável empreendedor, uma figura de espírito solidário e de grande humanismo, qualidades que soube incutir no grupo empresarial que fundou há mais de seis décadas e que tem projetado uma marca e uma região no plano nacional e internacional”.

Esta é uma das frases destacadas pela Universidade de Coimbra (UC) a propósito da atribuição do grau de Doutor Honoris Causa a Manuel Rui Azinhais Nabeiro. A cerimónia decorreu no passado dia 8 de junho, na Sala Grande dos Atos (Sala dos Capelos), na UC.

Segundo informação da própria academia, “a UC, sob proposta da Faculdade de Economia (FEUC), atribuiu o Doutoramento Honoris Causa ao comendador Rui Nabeiro”, recordando que “trata-se da mais elevada distinção atribuída por uma universidade portuguesa, destinada a cidadãos de indiscutível mérito profissional e de qualidades humanas que constituem uma referência inspiradora para toda a sociedade”.

De acordo com a mesma fonte, “o padrinho de Rui Nabeiro foi Carlos Fortuna, sociólogo e professor catedrático jubilado da FEUC”, enquanto “as apresentações estiveram a cargo de António Martins (elogio do doutorando) e de Margarida Mano (elogio do padrinho), ambos professores auxiliares da FEUC”.

A UC realça ainda que “Rui Nabeiro nasceu a 28 de março de 1931, em Campo Maior, tendo começado muito jovem a trabalhar na torrefação de café da família”, focando que “o espírito empreendedor e a forte ética de trabalho estiveram sempre presentes nos momentos decisivos da sua vida”.

Na cerimónia do passado dia 8, António Martins salientou que “para que a UC se sentisse honrada em homenagear Rui Nabeiro não seria necessário qualquer concreto pretexto”, constatando que “a sua vida e a sua obra bastariam para, a qualquer momento, fundamentar plenamente a outorga da láurea doutoral”.

Não obstante, o mesmo professor frisou que “o ato que testemunhamos insere-se nas comemorações dos 30 anos da licenciatura em Gestão de Empresas da FEUC”, considerando que “a Faculdade de Economia, onde se ministra esta licenciatura, enobrece-se ao distinguir um empresário para quem as empresas e a respetiva responsabilidade social são um ponto focal no conjunto da sua vida e da sua obra”.

A respeito do doutorando, disse ainda que “para Rui Nabeiro, criar e administrar um grupo com relevo mundial, referência obrigatória na indústria do café, tem sido muito mais do que um negócio”.

Na opinião de António Martins, “as empresas nascem geralmente de uma vontade, ou de uma conjugação de vontades, de natureza privada”, apontando que “evidenciam, porém, inevitavelmente, fortes impactes sociais.”

Evidenciou que, “no seu melhor, são creditáveis às empresas capitalistas ativos civilizacionais que moldam estruturalmente as sociedades em que vivemos; e no seu pior, podem causar sério dano a pessoas e a comunidades”.

Por sua vez, Margarida Mano, que fez o elogio do padrinho deste doutoramento, reiterou que “Carlos Fortuna surge como garante e confirmação da visão integral de Rui Nabeiro enquanto empreendedor e humanista que motiva o seu acolhimento no claustro doutoral da UC”.

Referindo-se a Rui Nabeiro e a Carlos Fortuna, a mesma professora vincou que são “dois alentejanos de ‘quatro costados’ cujas vidas se cruzam neste simbólico momento”, reforçando que “estão unidos, não por uma relação pessoal, que não existe, mas por uma atitude e percursos de compromisso comunitário”.

Destacou que “ambos inovadores, capazes de ultrapassar os limiares habituais das suas áreas de atuação, conseguiram sempre ver mais longe, sem, no entanto, deixar de valorizar o que o passado e a tradição têm para ensinar”.

Margarida Mano referiu também que “ambos solidários com a realidade humana, que nunca sai de cena em nome do ganho ou do cânone, procuraram antes devolver as faces e os nomes às iniciativas ou modelos que, no contexto atual, tantas vezes se veem esvaziados de humanidade”.

Comentou ainda que “um, empresário – com um empreendedorismo de impacto, humanista e solidário – e um outro, académico – de uma sociologia de envolvimento na defesa de políticas de emprego sólidas e de cultura – cruzam-se nesta ilustre sala numa lição coimbrã de economia integral, real e humana”.

Autores: Redação DS – Marina Pardal / João Trindade

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Veja também

A Universidade de Évora associa-se às comemorações do centenário do nascimento de José Saramago

Em 2022, completam-se 100 anos do nascimento de José Saramago, único prémio Nobel de língu…