Fundada em 27 de maio de 1960, a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, situada no terroir da imensa planície alentejana com uma área de vinha de 1.370, 16ha, acaba agora de comemorar 62 anos de existência e administra as suas atividades rumo ao futuro, garantindo aos seus clientes e ao mercado em geral, produtos com elevado nível de qualidade.

Na quinta-feira, dia 2 de junho, a Adega promoveu um almoço vínico para o qual foram convidados jornalistas que tiveram oportunidade de provar as novas colheitas e novos vinhos.

O evento decorreu na já icónica Casa das Talhas e os participantes foram recebidos com a simpatia e hospitalidade dos dirigentes da Adega, Eng.º José Miguel Almeida, Daniela Almeida, diretora de Marketing e Ana Coutinho, responsável pela Casa das Talhas, para além de outros membros da Direção e funcionários, que no melhor ambiente de convívio trocaram impressões acerca da atividade da Adega e dos seus vinhos.

Do programa do evento constou uma visita à Adega que se iniciou junto ao tegão onde são entregues as uvas provenientes das vindimas e que são depois selecionadas, sendo que presentemente a produção de uvas brancas e tintas está muito equilibrada e cujos valores são 42% de castas brancas e 58% de castas tintas.

De seguida foi a passagem pela Adega antiga e ali se ficou a conhecer o alambique que já não funciona e é uma peça de museu, no entanto a Adega possui em armazém grande quantidade de aguardente, e ainda os depósitos em cimento protegidos por ipoxi e as barricas para estágio de vinho, ao lado a sala Vasco da Gama, onde estão as garrafas de vinho tinto denominado 1498, produzido como homenagem a Vasco da Gama, Conde da Vigueira e que é o vinho topo de gama da Adega.

Após a visita foi a reunião, de novo, na Casa das Talhas e a anteceder o almoço, o Presidente da Adega, Eng.º José Miguel Almeida fez uma exposição que se subordinou ao tema “Vidigueira – Terroir e Sustentabilidade” através de elucidativas imagens e valências da Adega, que permitiram com a experiência e intenso trabalho solidificar a sua reputada imagem.

Chegou então o momento do ponto alto deste evento, que foi a realização do almoço vínico e que apresentou uma saborosa e bem confecionada ementa, começando com a entrada de uvas, queijo de Serpa e pão da Vidigueira, acompanhada pelo vinho Vidigueira Antão Vaz 2021, uma nova colheita.

Nos pratos principais, o polvo assado com puré de abóbora e espinafres salteados e nos acompanhamento o Vidigueira Superior Branco 2020, um novo vinho que tem sugestivo rótulo com destaque da cor verde, que se dirige em especial ao público consumidor jovem, e ainda o Vidigueira Grande Escolha Branco 2020, nova colheita e o Vidigueira Reserva Branco 2019, também nova colheita.

Quanto ao prato de carne, borrego assado no forno com batatinhas, foi servido o novo VDG Tannat Vidigueira Reserva Tinto 2019, um vinho de uma casta da Vidigueira que já está no mercado.

A finalizar esta excelente refeição, a sobremesa foi também uma ótima escolha – Crumble de maçã e noz, com gelado e crocante de salgado e foi dado a provar o Vidigueira Licoroso Branco 2019, a aguardente vínica velha e o Vasquinho.

Surgiu então pela voz do Presidente que iria ser feita uma surpresa e não é que se provou um Vidigueira Tinto Trincadeira 2021, a ser lançado em breve no mercado.

Este almoço vínico permitiu conhecer e provar as novas colheitas e novos vinhos, frescos e com os aromas e sabores que a Adega da Vidigueira, Cuba e Alvito sempre nos habituou e definem as suas características próprias e elevada qualidade. Refira-se a propósito o esforço que a Adega tem realizado para proteger as castas e as técnicas de produção e no seu património vinícola persistem castas autóctones das quais se saliente a Antão Vaz. Esta casta dá origem a um vinho branco de excelência e que lhe vale o título de “o Branco do Alentejo”.

José Miguel Almeida, presidente da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito

“A iniciativa decorreu na Casa das Talhas, que é o nosso centro de divulgação deste património único que é o vinho de talha. Estivemos a mostrar uma série de novas colheitas dos nossos vinhos, quer os brancos, quer os tintos da Vidigueira. Aproveitámos ainda este momento para mostrar um bocadinho daquilo que é o nosso terroir da Vidigueira, falar um pouco sobre os nossos solos e as nossas castas, bem como sobre as nossas práticas de sustentabilidade. Mostrámos aquilo que muitas vezes é falado, mas agora de uma forma mais incisiva, nomeadamente como é que este contexto dos vinhos da Vidigueira surge. Porque é que temos este terroir tão específico, porque é que as nossas castas têm este comportamento e porque é que os nossos vinhos têm estas características. Temos algumas novidades, incluindo um vinho novo, produzido especificamente a partir da casta Tannat. Explicámos em que contexto é que ele surge e a importância do mesmo para aquilo que é o futuro da região”.

Luís Morgado Leão, enólogo consultor da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito

“Algumas são novas colheitas, outros novos vinhos e também outros vinhos que já estão no mercado, mas que não tinham sido apresentados. A Adega Cooperativa ao longo dos anos tem vindo a colocar no mercado produtos que bem agradam ao cliente. Hoje em dia o mercado não está fácil, ter uma Adega Cooperativa que desde 2012 deu esta volta e toda esta remodelação de rótulos, toda a mudança de perfis de vinhos, de quantidade de marcas no mercado, sem dúvida nenhuma que é um caso de sucesso. A ACVCA tem uma capacidade de armazenagem na ordem dos 12 milhões de litros, o que nos leva a conseguir vinificar, consoante os anos, entre os oito e os dez milhões de quilos de uva anualmente. Quanto a 2022, o que temos visto nas vinhas é que é um ano acima da média, mas ainda é um pouco cedo para calcularmos isso, mas julgo que será dentro de um ano normal”.

Vasco Moura Fernandes, enólogo residente da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito

“Provámos alguns vinhos interessantes, como o VDG Tannat, uma casta recente no Alentejo. Provámos também brancos pela qual a Vidigueira é conhecida e que demonstram toda a qualidade do que tem vindo a ser feito até aqui nesta casa. Os vinhos que mais se destacam são o Antão Vaz, como não podia deixar de ser, pois estamos a falar da casta rainha da Vidigueira e talvez do Alentejo; e também o Superior Branco, que foi um lançamento recente também bastante interessante. No passado, as vinhas aqui eram de branco. Hoje em dia já estamos a conseguir metade-metade, entre brancos e tintos, o que demonstra que esta terra também tem potencial para vinhos tintos. Além disso, onde se fazem bons brancos, em termos de frescura e de mineralidade, também conseguimos fazer rosés com qualidade, como é o caso do Vidigueira Rosé DOC. Em relação aos licores, são a continuação do que tem vindo a ser feito. Já são licores e aguardentes com bastante tempo aqui na nossa casa”.

Autor: António Oliveira / Marina Pardal

Foto: DS

Veja também o vídeo desta reportagem em:
https://www.youtube.com/watch?v=fdq5j6nPUpg&t=11s

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