O Grupo Diário do Sul associou-se à iniciativa “Family Talks – Mais Família, Mais Amor”, um projeto do AXN White, que decorre pelo terceiro ano consecutivo.

De acordo com este canal televisivo, a Family Talks é “uma iniciativa de comunicação que visa aproximar o AXN White a todas as famílias portuguesas, suplantando os conteúdos do canal ao abordar temas estruturantes do foro familiar, através de ações especiais com pessoas especiais que inspiram-nos com as suas histórias”.

Segundo os promotores, “este ano, no mês de maio, está em destaque o tema da adoção e todas as suas vertentes, esclarecendo e desmistificando mitos relacionados com esta temática e mostrando, da melhor maneira, que não são os laços de sangue que definem a família”.

A par de outras atividades, a iniciativa “Family Talks” traduz-se “na apresentação de sete episódios de histórias e partilha de experiências de familiares reais, contadas na primeira pessoa, e que estão no site do AXN White”, adiantou a mesma fonte.

À antena da Rádio Telefonia do Alentejo trouxemos uma dessas histórias, a de Inês Filipe, de Évora, que partilhou o seu testemunho de adoção de duas meninas, que hoje já são mulheres.

Inês Filipe, professora do 1.º ciclo e também do ensino especial, tem agora 67 anos. No entanto, a história que deu a conhecer começou há mais de 40 anos.

“Em 1977, fui colocada pela primeira vez numa aldeia no distrito de Lisboa e foi aí que conheci uma família muito pobre e com problemas de alcoolismo que tinha dois filhos”, contou, recordando que “era um menino com 3 anos e uma menina com 2 meses”.

Inês Filipe partilhou que “a mãe das crianças começou a ir à escola pedir-me ajuda, até porque na altura não havia os mesmos apoios que há hoje”, acrescentando que “o meu marido ficou em Évora, também era professor, mas ao fim de semana estávamos juntos, pelo que estivemos os dois envolvidos no processo”.

Disse ainda que “apoiávamos as crianças com o que podíamos e começou a criar-se uma relação afetiva entre nós e a família, que nos convidou para sermos padrinhos da menina, além de nos pedir, muitas vezes, para ficarmos com ela aos fins de semana”.

Confessou também que “a situação em que viviam criava-nos um mal-estar muito grande e falámos com a família para dar conhecimento às entidades da situação em que se encontravam, tendo eles concordado”.

Quando terminou o ano letivo, Inês Filipe saiu dessa aldeia, mas o contacto com a família manteve-se. A par disso, iam contactando a Segurança Social (SS) da zona que dizia que “a situação estava em análise”.

Foi ao fim de três anos e meio que o casal de Évora recebeu um contacto da SS a perguntar se estariam disponíveis para receber a menina na sua casa.

“Dissemos que sim e informaram-nos que o outro menino ia para uma instituição e que a menina vinha para a nossa casa, desde que os pais autorizassem e eles deixaram”, explicou.

Inês Filipe focou também que, “entretanto, tinha nascido outra criança e quando fomos buscar a menina, a outra bebé tinha uns 2 meses”, frisando que “falámos com a família e voltámos a falar com a SS, que nos disse que essa menina ficaria em casa da família enquanto fosse amamentada”.

No entanto, não foi isso que aconteceu. “A menina mais nova, que tinha uma deficiência, ficou lá até aos 8 anos, nunca mais houve intervenção nenhuma”, lamentou.

Esta professora de Évora disse que “numa das vezes em que lá fomos, a menina mostrou muito interesse em vir connosco e com a irmã, o que foi muito angustiante”, realçando que “o pai acabou por concordar, mas para depois a entregarmos à SS da nossa zona”.

Foi isso que aconteceu, tendo mais tarde essa menina ido para uma instituição de educação especial aqui no concelho de Évora. No entanto, “nós mantínhamos alguma relação com ela e íamos lá com a irmã, além dela também vir connosco ao fim de semana ou nas férias”.

Desde o início que o desejo de adotar a menina mais velha foi expresso pelo casal, mas essa autorização só chegou muito mais tarde, quando ela já tinha cerca de 10 anos. “Foi um processo muito demorado e era muito angustiante, quer para nós, quer para a menina, haver esta incerteza”, admitiu a professora.

Com a relação que se foi estabelecendo com a menina mais nova, a vontade de adotá-la também foi expressa pelo casal, tendo a família acabado por concordar.

“Neste caso, a SS já foi muito rápida e muito eficiente”, garantiu Inês Filipe, afirmando que “acabámos por prolongar mais o tempo de adoção legal da mais velha para podermos adotar as duas ao mesmo tempo, o que aconteceu quando a mais nova já tinha 13 anos”.

Agora, passados mais de 40 anos do início deste processo, esta mãe deixa uma mensagem para outras famílias que estejam a pensar em adotar.

“Não tenham medo de adotar, nós adotámos duas crianças que não foram escolhidas por nós”, salientou, admitindo que “tinham histórias de vida difíceis e uma delas tem uma deficiência”.

Inês Filipe evidenciou que “as dificuldades foram ultrapassadas, como qualquer mãe ou qualquer pai ultrapassa, seja de um filho biológico ou adotado”.

Comentou ainda que, “na altura, havia poucos relatos de adoções, mas foram muito bem recebidas, quer pela nossa família, quer pelos nossos amigos”, reforçando que “a reação da nossa família foi muito positiva”.

Em jeito de conclusão, Inês Filipe confidenciou que “eu não lhes fiz favor nenhum, elas é que me fizeram, preencheram a minha vida e a vida das pessoas da minha família”, resumindo que “elas vieram acrescentar a minha família”.

“Os canais de televisão e os conteúdos que consumimos podem ser muito mais que mero entretenimento”

“Acredito que os canais de televisão e os conteúdos que consumimos podem ser muito mais que mero entretenimento”. As palavras são de Marta Trigoso, marketing manager dos canais AXN em Portugal, que falou ao Grupo Diário do Sul a propósito da iniciativa “Family Talks – Mais Família, Mais Amor” da AXN White.

Constatou que muitos desses conteúdos “retratam histórias e personagens com as quais nos identificamos e que contam histórias que podiam ser nossas ou que formam parte do nosso passado”.

Nesse sentido, Marta Trigoso explicou que “a iniciativa Family Talks nasceu com o propósito de contar histórias verdadeiras de famílias reais portuguesas”, reiterando que “é espelhar a realidade de temas importantes, relevantes da sociedade, através de histórias inspiradoras, abordando diferentes tópicos todos os anos”.

De acordo com a mesma responsável, “esta é a terceira vaga de Family Talks, mas, quando falamos de materialização, todas elas aconteceram de diferente maneira”, especificando que já esteve em cima da mesa o tema das “madrastas e o do cancro da mama”.

Relativamente ao tema deste ano, Marta Trigoso referiu que “as iniciativas Family Talks pretendem sempre abordar temas ligados ao ambiente familiar e, neste caso, considerámos que a adoção, acolhimento e apadrinhamento têm sido pouco abordados pelo mundo das marcas ou do entretenimento”.

Destacou que, “havendo crianças a aguardar por uma família ou apoio, sentimos que o AXN White deve dar palco a esta mensagem e causa, inspirando as famílias portuguesas com histórias de sucesso”.

Na sua opinião, “falar sobre este tema é quebrar um pouco do estigma que existe em torno dele, assim como desmistificar todas e quaisquer dúvidas que possam levar famílias a não optar por este caminho”.

A marketing manager dos canais AXN em Portugal afirmou ainda que “o principal objetivo da partilha de testemunhos reais é sempre dar o mote e encorajar a que outras pessoas sigam o mesmo caminho”, frisando que “é ‘dar um rosto’ a uma temática que, por vezes, é falada à mesa, mas que raramente é ponderada como uma possibilidade”.

Segundo Marta Trigoso, “a nossa prioridade foi dar a conhecer variadíssimas histórias de adoção, que representassem todos os ‘ângulos’ possíveis”, concluindo que partilharam “exemplos onde fosse possível demonstrar que tudo se resume a mais amor”.

Autor: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS

Veja também o vídeo desta reportagem em:
https://www.youtube.com/watch?v=v2L0TwI4pj4&t=2s

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