Em vésperas do Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar, assinalado a 5 de maio, a Associação Portuguesa da Hipertensão Pulmonar (APHP) lança um apelo para a necessidade de se reconhecerem os sintomas desta patologia de difícil diagnóstico e para a urgência de ser considerada uma doença crónica, de forma a melhorar a qualidade de vida de todos os portugueses que vivem com hipertensão pulmonar (HP).

Estima-se que em Portugal existam cerca de 300 pessoas diagnosticadas com HP, mas os especialistas acreditam que a prevalência da doença é muito superior a esse número. O subdiagnóstico leva a que muitos doentes levem anos a serem identificados e a iniciar o tratamento atempadamente. Apesar de incurável, um diagnóstico precoce pode garantir o controlo da patologia por meio de tratamentos que auxiliam no alívio dos seus efeitos.

“É determinante identificar mais pessoas com HP, uma vez que temos vários doentes que chegam até nós, após anos perdidos em consultas médicas. Estamos perante uma condição difícil de diagnosticar porque os seus sintomas são transversais a muitas outras patologias pulmonares, cardiovasculares e até neurológicas. O tempo médio que decorre entre o início dos sintomas e o diagnóstico é de aproximadamente 2 anos, mas temos casos em que esse processo pode atingir os 7 anos, algo que impacta consideravelmente a qualidade de vida”, afirma Maria João Canas Saraiva, presidente da APHP.

Portugal é um dos países da Europa onde a HP não é considerada uma doença crónica. Urge mudar essa realidade, no sentido de ajudar a comunidade de doentes e cuidadores a viverem melhor com esta condição. A facilidade de acesso a consultas, tratamentos e apoios a nível profissional devido ao absentismo provocado pela doença são conquistas importantes de serem alcançadas, no âmbito desta patologia.

Ainda a propósito do Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar, a APHP vai lançar, a nível nacional, a campanha de sensibilização “Heróis do Ar”. A iniciativa, implementada com o apoio da Ferrer, ambiciona homenagear doentes e cuidadores, e aumentar o diagnóstico precoce, ajudando a população identificar os sintomas da HP.

A campanha convida os portugueses a visualizarem e partilharem um vídeo com testemunhos de pessoas com HP que diariamente perdem momentos importantes do seu quotidiano pela falta de oxigénio, o principal sintoma da HP e um elemento essencial à vida. Subir escadas, pegar no filho ao colo ou simplesmente caminhar são exemplos de atividades que estes doentes não conseguem realizar. Por cada visualização e partilha nas redes sociais com a hashtag #heroisdoar, no dia da efeméride (5 de maio), será doado 1 euro à Associação.

Sobre a HP

A HP é uma doença rara, progressiva e altamente incapacitante. Causada por uma variedade de fatores, os sintomas mais comuns são a falta de oxigénio e dificuldade em respirar em situações normais do dia-a-dia, que não requerem muito esforço, como fazer a cama, lavar os dentes ou pentear-se. O desconforto torácico e algum inchaço nas pernas são outros sinais de alerta.

Caracterizada pela pressão elevada (hipertensão) nos vasos que transportam o sangue do coração para os pulmões com o propósito de serem oxigenados. Com este quadro clínico, o lado direito do coração necessita de trabalhar em esforço para conseguir bombear o sangue através das artérias pulmonares.

Sobre a Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar:

Organização sem fins lucrativos que intervém a nível nacional para a melhoria da qualidade de vida e para o bem-estar das pessoas com HP, para que esta doença não constitua uma barreira no seu dia a dia.

Tem como principais objetivos a promoção do diagnóstico precoce e do melhor tratamento possível, a divulgação da doença, apoio assistencial, psicológico e social a doentes e cuidadores, e o trabalho em rede com outras associações, para assegurar o reconhecimento de direitos de forma a pressionar as entidades políticas e facilitar o acesso aos melhores cuidados de saúde.

Fonte: Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar / Nota de imprensa

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Veja também

Investigadores da Universidade do Minho concluem que volume do cérebro tem impacto na perceção do stress

Um estudo de investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Minho encontrou uma c…